Israel deve 'abandonar suas ameaças de anexações', diz emissário da ONU

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O presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou ontem o fim da cooperação de segurança palestina com Israel
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou ontem o fim da cooperação de segurança palestina com Israel

O emissário da ONU para o conflito no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, pediu a Israel nesta quarta-feira (20) que "abandone suas ameaças de anexação" e à liderança palestina que "retome as negociações" com os países envolvidos no processo de paz na região.

"Chamo meus colegas do Quarteto (composto por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas) a trabalhar com a ONU e rapidamente obter uma proposta que lhe permita desempenhar seu papel de mediação e trabalhar conjuntamente com os países da região para fazer a paz avançar", disse durante uma reunião do Conselho de Segurança.

Sua declaração, que raramente é tão direta, ocorre um dia após o presidente palestino, Mahmud Abbas, anunciar o fim da cooperação de segurança palestina com Israel, que planeja anexar territórios na Cisjordânia ocupada.

Mladenov disse que se reunirá com os líderes palestinos na quinta-feira para abordar as consequências práticas do anúncio, que não foram especificadas por Abbas.

"A anexação de áreas na Cisjordânia (...) representaria uma violação muito grave do direito internacional e seria um golpe devastador para a solução de dois Estados", continuou o enviado da ONU.

Além disso, "fecharia as portas para a retomada das negociações e ameaçaria os esforços para avançar na paz regional e nossos esforços mais amplos para manter a paz e a segurança internacionais", alertou.

A embaixadora dos EUA para a ONU, Kelly Craft, destacou por sua vez que uma solução só poderia passar por uma reunião das duas partes na mesma mesa de negociações.

"O que precisamos agora, se esperamos dar um primeiro passo na direção certa, é que as partes sentem-se à mesma mesa. Este Conselho não pode ditar o final do conflito. Só podemos incentivar as partes a determinarem juntas o que desejam fazer para progredir", disse.

Em uma declaração conjunta, França, Bélgica, Alemanha e Estônia reafirmaram que não reconheceriam nenhuma mudança nas fronteiras definidas em 1967, "a menos que sejam decididas pelos israelenses e palestinos".