Israel dissolverá Parlamento e se prepara para 5ª eleição em 3 anos

JERUSALÉM, ISRAEL (FOLHAPRESS) - O premiê de Israel, Naftali Bennett, e o chanceler Yair Lapid anunciaram nesta segunda-feira (20) a intenção de dissolver o Parlamento do país. O movimento é a ponta da crise na coalizão formada para derrotar o ex-primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e abre caminho para a quinta eleição em três anos.

Lapid, um ex-jornalista e líder do partido com a maior participação na aliança que agora desmorona, assumirá o cargo até o próximo pleito, previsto para acontecer em 25 de outubro, segundo a imprensa.

"Estamos diante de vocês hoje em um momento que não é fácil, mas com o entendimento de que tomamos a decisão certa para Israel", disse Bennett em um comunicado televisionado ao lado de Lapid.

No pacto da aliança, Lapid se tornaria premiê em 2023. A crise, porém, antecipou a mudança no comando do país e, diante de um novo pleito, não está claro o cenário que se desenhará na política israelense.

A dissolução do Knesset, como é chamado o Parlamento de Israel, deve ser formalizada na próxima semana, quando será posta em votação. Uma vez que a coalizão governista perdeu a maioria na Casa, os votos dos parlamentares devem confirmar o fim da frente ampla depois de um ano de mandato.

Lapid e Bennett firmaram em junho de 2021 uma aliança improvável após dois anos de impasses, encerrando 12 anos de Netanyahu no poder, o período mais longo de um premiê em Israel. O arranjo de oito partidos, da ultradireita à ultraesquerda, incluindo centristas e árabes, era frágil desde o início.

Com maioria parlamentar tímida —Bennett foi aprovado ao cargo com apenas um voto de vantagem— e parceiros divididos em questões importantes, como o conflito entre israelenses e palestinos e temas de Estado e de religião, a aliança se fragmentou após um punhado de membros abandonar a coalizão.

A coalizão teve que enfrentar, por exemplo, o impasse em torno da renovação da lei sobre os colonos, que permite que as regras israelenses sejam aplicadas aos mais de 475 mil colonos israelenses que vivem na Cisjordânia ocupada. O texto, em vigor desde o início da ocupação israelense, em 1967, é ratificado a cada cinco anos pelo Parlamento, e a oposição, que apoia majoritariamente a legislação, conseguiu reunir a maioria dos votos contra a renovação do texto, para assim explicitar as tensões internas da coalizão.

Caso a lei não fosse renovada antes de 30 de junho, os colonos israelenses perderiam sua proteção legal. Se o Knesset fosse dissolvido, porém, a regra seria prorrogada automaticamente. "Com a expiração da lei, Israel se arriscava a enfrentar problemas graves de segurança e um caos jurídico. Não podia aceitá-la", disse Bennett, líder do grupo de ultradireita Yamina, para justificar a dissolução do Parlamento.

À medida que a pressão aumentava nos últimos dias, Bennett, um ex-comandante das forças especiais do país e milionário do ramo de tecnologia, defendia com mais vigor a atuação do governo, destacando o crescimento econômico, a redução do desemprego e a eliminação do déficit pela primeira vez em 14 anos.

Ainda assim, não conseguiu manter a coalizão unida e decidiu sair antes que o Likud, de Netanyahu, pudesse apresentar uma moção própria para dissolver o Parlamento. O ex-premiê zombou de Bennett, dizendo na semana passada que seu governo estava realizando "um dos funerais mais longos da história".

No dia em que o Parlamento aprovou a indicação de Bennett, Bibi, como o ex-líder é conhecido, disse: "Se o nosso destino é estar na oposição, faremos isso de cabeça erguida, derrubaremos esse governo ruim e voltaremos a liderar à nossa maneira". Nesta segunda, afirmou que os israelenses têm motivo para sorrir. "Eles entendem que algo grande aconteceu. Estamos nos livrando do pior governo da história do país."

Hoje o Likud tem a maior bancada do Parlamento, com 30 das 120 cadeiras. Mas um possível retorno de Netanyahu ao poder estaria condicionado à costura de alianças políticas sujeitas à influência do desgaste da imagem do ex-premiê, que responde na Justiça a acusações de suborno, quebra de confiança e fraude.

Pesquisas recentes mostram o Likud na liderança, mas sem ultrapassar o limite da maioria, 61 dos 120 deputados no Parlamento, juntamente com os aliados dos partidos ultraortodoxos e da ultradireita.

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