Trump denuncia "corrupção" no FBI e minimiza investigação sobre Rússia

Washington, 17 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a denunciar neste sábado a "corrupção" no FBI após a demissão do segundo em comando dessa agência, e diminuiu o valor da investigação sobre a trama russa ao insistir que "não houve conspiração" entre Moscou e sua campanha eleitoral em 2016.

"Como concluiu o Comitê de Inteligência da Câmara, não houve conspiração entre a Rússia e a campanha de Trump", escreveu o presidente americano na sua conta do Twitter.

"Do que muita gente está se dando conta, no entanto, é que houve um tremendo vazamento de informação, mentiras e corrupção nos níveis mais altos do FBI, (do Departamento de) Justiça e (do de) Estado", acrescentou.

Trump defendeu ainda a demissão de Andrew McCabe, que até janeiro era o "número dois" do FBI e que pretendia retirar-se da agência neste domingo, mas foi despedido ontem pelo secretário de Justiça, Jeff Sessions, que lhe acusou de ter feito "um vazamento não autorizado a um meio de comunicação".

"Os (meios de comunicação de) Notícias Falsas estão fora de si porque McCabe foi caçado, denunciado e despedido", escreveu hoje Trump, que pouco depois da meia-noite tinha celebrado a demissão do funcionário como "um grande dia para a democracia".

Trump criticou McCabe várias vezes pelas doações que sua esposa, Jill McCabe, recebeu em 2015 quando concorreu como democrata ao Senado estadual de Virgínia, e que procediam de um aliado de Hillary Clinton, rival de Trump nas eleições de 2016.

McCabe dirigiu a investigação do FBI sobre o uso que Hillary fez de um servidor de e-mail privado para tratar assuntos oficiais quando era secretária de Estado (2009-2013), o que Trump considera um conflito de interesses pelas doações à sua esposa.

Por sua parte, McCabe denunciou ontem à noite que sua demissão é fruto de "uma série de ataques" pensada para "minar sua credibilidade e sua reputação", alguns deles dirigidos pelo próprio Trump, e que faz parte da "guerra" do governo contra o FBI e os trabalhos do promotor especial que investiga a trama russa, Robert Mueller.

"Isto faz parte de um esforço para desacreditar-me como testemunha" na investigação de Mueller, declarou McCabe em entrevista ao jornal "The New York Times".

O advogado pessoal de Trump, John Dowd, pediu hoje que, após a demissão de McCabe, o Departamento de Justiça encerre a investigação sobre a ingerência russa liderada por Mueller e que envolve várias pessoas do entorno do presidente.

O advogado assegurou que essa investigação foi "manufaturada pelo chefe de McCabe, (o ex-diretor do FBI) James Comey, com base em um dossiê fraudulento e corrupto" sobre Trump e a Rússia.

Em maio do ano passado Trump demitiu Comey, que pouco depois relatou perante o Senado sua versão das "preocupantes" conversas que teve com o presidente, e pediu a Mueller que determinasse se o governante incorreu em "obstrução à Justiça".

Comey baseou seu relato em uma série de notas que tinha feito após cada um dos seus contatos com Trump, e McCabe também escreveu relatórios similares sobre suas conversas com o presidente, segundo informou hoje a emissora "CNN". EFE