Israel manterá operações na Síria até que Irã 'se retire' (Defesa)

Foto da agência oficial síria SANA de 27 de abril de 2020 mostra jovens em meio a ruínas de um prédio atingido por bombardeio atribuído à força aérea israelense, ao sul de Damasco

Israel vai continuar suas operações na Síria até que o Irã "se retire" deste país, disse o ministro da Defesa de Israel nesta terça-feira(5), após uma série de ataques aéreos atribuídos ao exército israelense no país árabe.

"O Irã não tem nada a fazer na Síria... E não vamos parar até que eles (os iranianos) saiam da Síria", disse Naftali Bennett, sem, no entanto, reivindicar os recentes ataques aéreos que a imprensa síria e ONGs atribuem à força aérea israelense em território sírio.

Quatorze combatentes iranianos e iraquianos foram mortos na noite de segunda-feira em bombardeios noturnos na Síria, indicou uma ONG local, que afirmou que os ataques foram "provavelmente" ação de Israel.

Desde 21 de abril, esta ONG e a mídia pública síria relataram pelo menos seis bombardeios atribuídos a Israel contra posições iranianas ou grupos próximos ao Irã, incluindo o Hezbollah libanês, na Síria.

O Irã e o Hezbollah, arqui-inimigos de Israel, ajudam militarmente o regime sírio de Bashar al-Assad em sua guerra contra rebeldes e jihadistas.

O Irã "entrou" na Síria em um contexto de guerra naquele país e agora busca "se estabelecer" na fronteira com Israel para "ameaçar" cidades como "Tel Aviv, Jerusalém e Haifa", acrescentou Bennett em entrevista à rede israelense Kan 11.

"O Irã se tornou um fardo. No passado, eles já foram um trunfo para os sírios. [Os iranianos] ajudaram [o presidente sírio, Bashar] Al Assad contra o Daesh [acrônimo em árabe para o grupo extremista Estado Islâmico], mas se tornaram um fardo", afirmou o ministro israelense.

Líder do partido da direita radical Yamina, Naftali Bennett foi nomeado ministro da Defesa no outono de 2019, mas poderia perder o cargo nos próximos dias.

Em virtude de um acordo para um governo de união e emergência no combate à pandemia do novo coronavírus, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e seu ex-adversário nas eleições, Benny Gantz, decidiram compartilhar o poder nos próximos três anos.

No entanto, Benny Gantz, ex-chefe de estado-maior, informou que seria ministro da Defesa nos primeiros 18 meses do futuro governo antes de substituir Netanyahu na chefia de governo.

Nafatali Bennett disse temer que as forças pró-iranianas se instalem no sul da Síria, sobretudo no Golã, na fronteira com Israel. Parte do Golã sírio é ocupado por Israel.

"Dentro de um ano, poderíamos acordar com 10.000, 20.000 mísseis nos ameaçando. Para eles [o Irã], isto será uma aventura, eles estarão a 1.000 km de suas casas... Mas isto também será seu Vietnã, de certo modo", afirmou.