Israel, primeira democracia a expulsar o Human Rights Watch

O diretor executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth (E), e Omar Shakir, diretor da ONG para Israel e os Territórios Palestinos

Israel está a caminho de se tornar a primeira democracia a expulsar um investigador da Human Rights Watch (HRW), disse neste domingo (24) o diretor executivo da ONG, Kenneth Roth, condenando a expulsão do representante da entidade em Israel e nos territórios palestinos, prevista para a segunda-feira.

O americano Omar Shakir esgotou todos seus recursos para evitar sua expulsão, que Israel justificou com base em uma nova lei que proíbe o acesso ao país de estrangeiros acusados de apoiar a campanha de boicote contra o Estado Hebreu.

"Não me lembro de nenhuma outra democracia que tenha bloqueado o acesso a um investigador da Human Rights Watch", disse Roth à AFP.

"Isto demonstra a natureza cada vez mais restrita da democracia israelense", acrescentou.

Outras pessoas já tiveram acesso negado ao território israelense desde que a lei entrou em vigor em 2017, mas Omar Shakir seria o primeiro a ser expulso, de acordo com o Ministério de Assuntos Estratégicos de Israel.

No final de 2018, o governo israelense cancelou a autorização de residência de Shakir por acusá-lo de apoiar a campanha de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel, algo que o ativista nega.

O Tribunal Supremo de Israel aprovou a expulsão de Omar Shakir no início deste mês.

"Nem a Human Rights Watch nem eu, como seu representante, pedimos o boicote a Israel", declarou Shakir, que assumiu suas funções em 2017.

A ONG informou que, mesmo expulso, o ativista continuará como diretor da ONG responsável pela fiscalização de Israel e territórios palestinos.