Israel utiliza reconhecimento facial na Cisjordânia para prender palestinos

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Cidadão palestino conversa com efetivos das forças de segurança de Israel em Hebrom, na Cisjordânia, em 3 de novembro de 2021 (AFP/HAZEM BADER)

O Exército de Israel desenvolveu um sistema de reconhecimento facial para monitorar os palestinos na Cisjordânia, informou nesta terça-feira (9) à AFP uma organização israelense, que obteve testemunhos de soldados que confirmam as informações que circularam na imprensa.

De acordo com o jornal americano Washington Post, o Exército israelense utiliza há cerca de dois anos uma tecnologia chamada "Blue Wolf" ("Lobo azul", em tradução livre do inglês), na qual os soldados fotografam os rostos dos palestinos com seus celulares e depois enviam as imagens para uma central, que, por sua vez, indica se o indivíduo fotografado deve ser detido.

O Washington Post utilizou como fonte os depoimentos que vários ex-soldados fizeram à organização israelense "Breaking the Silence" ("Rompendo o Silêncio", em tradução livre do inglês), que combate a ocupação ilegal da Cisjordânia e oferece uma plataforma aos militares para denunciar - de forma anônima - as ações, segundo eles, condenáveis do Exército, que ocupa o território palestino desde 1967.

Os soldados israelenses "são enviados para patrulhar cidades e povoados com um tipo de 'smartphone' e fazem fotos de cada palestino que veem nas ruas, de maneira completamente arbitrária", explicou à AFP Ori Givati, um dos responsáveis da Breaking the Silence.

Depois de fazer a foto, a tela do aparelho fica vermelha se detectar que é necessário proceder com a prisão, amarela se for preciso deter momentaneamente a pessoa, antes de consultar a hierarquia superior, ou verde se não houver motivos para agir, detalhou Givati, cuja organização recebeu depoimentos coincidentes de seis soldados.

"Existe uma competição entre os soldados e, inclusive, recompensas", acrescentou o dirigente da ONG.

"A mensagem passada [aos soldados] é: 'Todo o mundo é inimigo, é preciso suspeitar'", afirmou o diretor-adjunto da Breaking the Silence, Nadav Weiman, à AFP durante uma visita nesta terça-feira (9) a Hebrom, no sul da Cisjordânia.

Por outro lado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disseram, após questionamento da AFP, que estavam realizando "operações rotineiras de segurança" na Cisjordânia para "lutar contra o terrorismo" e "melhorar a qualidade de vida" dos palestinos, e acrescentaram que não poderiam fazer comentários sobre as "capacidades operacionais do Exército neste contexto".

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