'Isso aqui está entregue às baratas', diz comerciante sobre local onde Cadu Barcellos foi morto

André Coelho
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Foto: Reprodução
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Pessoas que trabalham em prédios e no comércio de rua próximo ao onde o cineasta Cadu foi esfaqueado na madrugada de terça-feira relatam o aumento da insegurança na região da Avenida Presidente Vargas, entre a Rua Uruguaiana. A calçada ainda manchada de sangue em frente ao prédio do Banco Central é a marca mais recente de uma rotina de medo de quem passa pelo local.

— Isso aqui está entregue às baratas. Piorou muito a segurança nos últimos meses. Quando o pessoal do Centro Presente sai, os assaltantes fazem a festa — conta um comerciante.

Cadu teria sido vítima de um assalto ao voltar de um samba na Pedra do Sal, reduto boêmio do Centro. Ele teria pego carona com uma amiga que seguia para a Zona Sul, e desceu do carro na esquina das avenidas Passos e Presidente Vargas para seguir para casa, quando foi abordado e esfaqueado no tórax.

Ele chegou a correr até a esquina da rua Uruguaiana, onde taxistas o socorreram e chamaram a polícia.

— Os policiais vieram muito rápido, e a ambulância também não demorou, mas não deu tempo. Ele morreu na esquina — contou um taxista.

Outro comerciante que mora próximo ao local do crime afirma que assaltos são comuns nas madrugadas de terça-feira.

— Eles (assaltantes) já sabem, ficam por aqui esperando quem sai do samba de segunda-feira para pegar o ônibus ou o metrô. Com certeza foi assalto — diz.

O bombeiro civil Roger Luís, de 29 anos, trabalha há cinco num prédio na esquina onde Cadu morreu, e diz que os assaltos tem aumentado a cada dia.

— Eu chego por volta das 6 da manhã e nunca tem policiamento. Vejo assaltos quase diariamente. Com a pandemia piorou demais.

Já o dono de banca de jornal relata ainda ser vítima constante de furtos, devido à falta de segurança na região à noite.

— Quase toda semana sofro um arrombamento. Está demais, tem muito morador de rua, e os bandidos se aproveitam e se escondem entre eles — lamentou.