Observador da OSCE morre em explosão de mina no leste da Ucrânia

(Atualiza com novos dados).

Kiev, 23 abr (EFE).- Um observador britânico da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) morreu neste domingo na província ucraniana de Lugansk após a explosão de uma mina na passagem do automóvel no qual viajavam os membros da missão desse organismo.

"Como resultado da explosão de uma mina em território ucraniano ocupado da província de Lugansk, morreu o membro da missão do OSCE, Joseph Stone, de cidadania britânica", informou Anton Geraschenko, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, em um comunicado.

Geraschenko acrescentou que outra integrante da missão, uma cidadã alemã, também ficou ferida, mas não corre risco de vida.

O presidente em exercício da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, lamentou a morte do observador em sua conta no Twitter.

"Trágicas notícias da Ucrânia. Uma patrulha da Missão de Observação Especial atingiu uma mina. Um membro da patrulha morto e outro ferido. A morte de um colega é um choque para toda a OSCE", escreveu.

Kurz pediu uma "aprofundada investigação" do incidente para que os responsáveis pelo ataque sejam punidos.

Segundo a polícia da autoproclamada república separatista de Lugansk, um membro da missão morreu e outro ficou ferido quando passavam pela localidade de Prishib, perto da linha de separação de forças no leste de Ucrânia.

Aparentemente, um dos carros do comboio da OSCE foi atingido em cheio pela mina terrestre, enquanto o segundo saiu intacto.

As autoridades rebeldes não hesitaram em responsabilizar do ataque um grupo subversivo ucraniano, o que qualificaram como uma provocação "sem precedentes" que pode intensificar os combates.

O presidente de Ucrânia, Petro Poroshenko, pediu uma investigação e que os responsáveis sejam punidos e condenou "a permanente obstrução" ao trabalho da OSCE por parte dos separatistas pró-russos.

O secretário geral da OTAN, Jens Stoltenberg, apoiou o pedido de uma investigação exaustiva e lembrou que a livre circulação dos observadores internacionais deve ser garantida.

Por sua vez, a república separatista de Donetsk lembrou que a OSCE foi advertida para adotar extremas medidas de segurança.

"É sabido que tal comboio saiu da rota habitual e se deslocava por estradas secundárias, o que é proibido pelo mandato da missão de observação da OSCE", disse Eduard Basurin, subcomandante das milícias rebeldes, a meios de comunicação russos.

Embora os Acordos de Paz de Minsk de fevereiro de 2015 tenham dado fim à guerra em grande escala entre o exército ucraniano e as milícias insurgentes pró-russas, os combates são constantes, assim como as baixas em ambos os lados.

As negociações de paz estão paralisadas, entre outros motivos, pela falta de acordo quanto às eleições nas áreas controladas pelos separatistas, já que Kiev exige garantias de segurança e a presença de observadores internacionais.

Além disso, a Ucrânia quer o controle da fronteira entre as regiões de Donetsk e Lugansk e o território russo, enquanto Moscou pede que Kiev aprove antes uma lei que conceda autonomia às zonas separatistas. EFE