Itália decreta estado de emergência diante dos impactos da seca

A Itália declarou estado de emergência em cinco regiões no Norte e no Centro do país, devastadas por uma recente seca, no momento em que uma severa onda de calor produz impactos na agricultura e ameaça o fornecimento de energia.

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As temperaturas elevadas e um tempo excepcionalmente seco reduziram os níveis do rio Pó, o maior do país, aos menores patamares em sete décadas.

Mesmo em meio a um mês historicamente seco na Europa, a situação no Vale do Rio Pó é particularmente crítica. Meses sem chuvas e uma interrupção antecipada dos fluxos de neve derretida dos alpes deixaram grandes partes do leito do rio visíveis — recentemente, um veículo militar alemão, da Segunda Guerra Mundial, reapareceu após décadas submerso.

A produção das usinas hidrelétricas, responsáveis por 15% da demanda nacional, caiu 50% em 2022, enquanto as águas do Mar Adriático entraram de maneira recorde no delta do Pó, ameaçando a agricultura e o fornecimento de água. Cidades do Norte da Itália já anunciaram um racionamento.

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O calor extremo e o clima excepcionalmente seco afetaram a produção de milho e girassol, e obrigaram os produtores de arroz a reduzirem as áreas cultivadas, segundo a unidade de Monitoramento de Recursos Agrícolas da União Europeia (UE). A colheita do trigo duro, usado para fazer macarrão, ficará abaixo da média dos últimos cinco, anos, afirma a UE, em relatório publicado no mês passado.

As condições extremas levaram a uma queda de 30% nas colheitas sazonais, incluindo de cevada, grãos e arroz na região, de acordo com o grupo agrícola Coldiretti, que estima um impacto de até € 3 bilhões (R$ 16,5 bilhões) ao setor.

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O governo liderado pelo premier Mario Draghi vai destinar € 36,5 milhões (R$ 201,7 milhões) para ações relacionadas à seca, de acordo com um comunicado divulgado na segunda-feira. Na semana passada, Draghi deixou às pressas um encontro da Otan, em Bruxelas, para liderar uma reunião sobre a crise.

No final de semana, as condições extremas ficaram ainda mais evidentes quando uma geleira nos Alpes (Norte) desabou parcialmente durante uma onda de calor, quando a temperatura no cume da montanha chegou a 10ºC.

Pelo menos 26 pessoas foram atingidas pela avalanche, sendo que sete morreram atingidas pelo gelo, neve e pedras que rolaram da Geleira Marmolada, no ponto mais alto das Montanhas Dolomitas.

Draghi, que viajou aos Alpes na segunda-feira, disse que a tragédia, embora parcialmente ligada a fatores imprevisíveis, também estava relacionada à “deterioração do meio-ambiente e à situação climática”.

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