Itália espera que ex-presidente do BCE tire o país da crise

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(Arquivo) O economista e ex-presidente do BCE Mario Draghi

O presidente italiano, Sergio Mattarella, convocou nesta terça-feira o economista e ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, para pedir ao mesmo que tente tirar o país da grave crise política, social e sanitária.

A convocação de Draghi, que deve ser atendida nesta quarta-feira, foi decidida após o fracasso das negociações políticas, devido a divergências graves entre os partidos da coalizão de governo, liderada por Giuseppe Conte.

"Não há disponibilidade para formar uma maioria de governo", apontou o presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, que havia sido encarregado por Mattarella de recompor a maioria parlamentar que sustentava o premier Conte, obrigado a renunciar na última terça-feira, depois que o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi retirou o apoio de seu pequeno partido, Italia Viva (IV), que não chega a 3% das intenções de voto, mas é imprescindível para a formação de uma maioria sólida no Parlamento.

As duas maiores forças da coalizão - O Partido Democrático (PD, centro-esquerda) e o Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema até chegar ao poder, em 2018), apoiavam Conte, que gozava de alta popularidade por sua gestão da pandemia, mas não conseguiram superar as divergências com Renzi.

Diante da crise política, Mattarella, único que, pela Constituição, designa o premier ou dissolve o Parlamento, convocou Draghi, um nome que poderia unir todas as forças políticas. O presidente ilustrou a situação complexa do país e alertou que restavam apenas dois caminhos: eleições imediatas em meio à emergência sanitária ou um Executivo institucional apoiado pro todas as forças políticas.

- 'Super Draghi' -

Draghi, 73, cuja candidatura havia circulado em outras ocasiões, encarna uma personalidade acima dos partidos políticos, que contaria com o apoio de setores moderados e de direita. "Super Draghi", como costuma ser chamado, foi considerado o salvador da eurozona em 2012, quando a crise da dívida atingiu a economia do Velho Continente. "É uma pessoa extremamente preparada e decidida", afirma Giuliano Noci, professor do Politécnico de Milão.

Mattarella também assinalou o desafio que representa para a Itália o plano de mais de 200 bilhões de euros financiado pela União Europeia para a reconstrução do país, que deve estar pronto em abril. "Não podemos nos permitir perder essa chance, fundamental para o nosso futuro."

Com o pedido a Draghi para comandar um governo de união, Conte praticamente sai de cena. Às incertezas geradas pela tensão e pelas rupturas durante as negociações para formar o novo governo, somaram-se as estimativas oficiais divulgadas hoje de uma queda do PIB de 8,9% em 2020 devido à recessão.

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