Itália fica em limbo político e pode antecipar eleições

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Vista do escritório do primeiro-ministro da Itália em Roma
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Por Crispian Balmer e Giuseppe Fonte

ROMA (Reuters) - A Itália pode precisar de eleições antecipadas para superar um impasse político, disseram autoridades governamentais nesta sexta-feira, depois que o primeiro-ministro Mario Draghi apresentou sua renúncia após um motim de um partido de sua coalizão.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, rejeitou a renúncia de Draghi na quinta-feira e pediu-lhe que se dirigisse ao Parlamento na próxima semana para obter uma imagem mais clara da situação política.

Se a unidade não puder voltar rapidamente às fileiras do governo, a única alternativa seria que uma eleição fosse convocada no outono (do Hemisfério Norte), disse o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, advertindo que uma votação antecipada seria bem recebida pela Rússia, mas prejudicaria a economia italiana.

"Se Draghi cair, nós votaremos", disse ele à rádio RTL, acrescentando que, sem um governo em pleno funcionamento nos próximos meses, a Itália correria o risco de perder bilhões de euros em fundos de recuperação pós-pandêmicos da União Europeia e não seria capaz de promulgar medidas para combater os altos custos de energia.

"Uma eleição antecipada ... é um problema para o país", disse.

O governo de Draghi, de 18 meses de idade, foi jogado ao caos pelo populista Movimento 5-Estrelas, que boicotou uma moção de confiança parlamentar na quinta-feira sobre os planos de Draghi para enfrentar o crescente custo de vida, argumentando que eles não foram suficientemente longe.

Os críticos dizem que o partido, que foi dilacerado por uma cisão no mês passado, estava agindo meramente por interesse próprio, ansioso para elevar seu perfil junto aos eleitores após uma queda nas pesquisas de opinião.

Os riscos do caos político enervaram os mercados financeiros.

CREDIBILIDADE EUROPEIA

Uma eleição nacional está prevista para o primeiro semestre de 2023 e a antecipação da votação daria aos partidos pouco tempo para elaborar os manifestos e preparar suas listas de candidatos.

Entretanto, uma fonte do gabinete do primeiro-ministro, que se recusou a ser nomeada, expressou pessimismo sobre as perspectivas de revitalização da coalizão e disse que o resultado mais provável era uma votação no início de outubro.

Nesse caso, Draghi poderia permanecer na função como interino, mas não seria capaz de elaborar um Orçamento para 2023 ou decretar reformas exigidas pela Europa em troca dos fundos de recuperação.

"A Itália não pode passar sem Mario Draghi", disse Renato Brunetta, ministro da Administração Pública e membro do partido de centro-direita Forza Italia. "Não podemos perder a credibilidade e a confiança que ganhamos na Europa e no mundo em tempos tão difíceis", escreveu ele no Twitter.

Draghi, um ex-presidente do Banco Central Europeu amplamente respeitado, desempenhou um papel proeminente na resposta da UE à invasão russa da Ucrânia, ajudando a elaborar sanções econômicas contra Moscou e enviando armas para Kiev.

Nenhum dos partidos do governo de unidade nacional exigiu eleições após a oferta de renúncia de Draghi. Entretanto, o único grande grupo que ficou de fora da coalizão, o Irmãos da Itália, de extrema direita, abraçou a ideia imediatamente.

Liderados por Giorgia Meloni, os Irmãos da Itália viram seu apoio disparar durante seu tempo na oposição e parece provável que surja como o maior partido único no próximo Parlamento.

"Com a renúncia de Draghi... esta legislatura acabou", escreveu Meloni no Twitter. "Eleições imediatamente."

A Itália não tem uma eleição de outono desde a Segunda Guerra Mundial, pois esse é normalmente o período em que o orçamento é elaborado.

É provável que o 5-Estrelas esteja sob forte pressão de outros parceiros da coalizão para recuar em seu confronto com Draghi e permitir que sua administração conclua o mandato.

"Temos agora cinco dias para trabalhar para que o Parlamento confirme sua confiança no governo Draghi e a Itália saia o mais rápido possível da crise dramática em que está entrando", disse Enrico Letta, chefe do Partido Democrata, de centro-esquerda.

(Reportagem adicional de Alessia Pe e Giulia Segreti)

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