Europa prossegue com desconfinamento e EUA reforça acusações contra China

Por Nicolas GAUDICHET en Roma con las oficinas de la AFP en el mundo
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Pessoas caminham, ou praticam esportes, em 2 de maio, em Sevilha, Espanha

Vários países europeus começaram a suspender as medidas de confinamento impostas pelo coronavírus, pelas quais os Estados Unidos mais uma vez culparam a China nesta domingo, dizendo que há uma quantidade "enorme" de evidências de que a pandemia se originou em um laboratório em Wuhan.

Encorajadas pelo anúncio de 174 mortes em 24 horas no domingo, o menor número desde o início do confinamento, as autoridades italianas estão se preparando para suspender gradualmente as restrições a partir desta segunda-feira, uma medida esperada por todos, podendo assim reativar a economia.

A mesma tendência foi registrada em outros países do continente, como França ou Espanha, onde foram registradas 135 e 164 mortes, respectivamente, nas últimas 24 horas.

Na Espanha, com 25.264 mortos, os cidadãos começaram a descobrir a felicidade de voltar às ruas no sábado. Na França, com 24.895 mortos, o alívio do confinamento começará em 11 de maio.

"Quero levar minha mãe idosa para o mar, posso?", perguntou Pietro Garlanti, 53 anos, usando uma máscara e luvas de plástico, ao comprar em Roma. "Espero que os jornais nos digam o que podemos e o que não podemos fazer".

Estritamente confinada desde 9 de março, a Itália foi duramente atingida, com 28.884 mortos. Os italianos aguardam ansiosamente a reabertura de parques, a possibilidade de visitar a família ou reuniões de no máximo 10 pessoas, deslocamentos limitados ao bairro de residência e a possibilidade de receber entregas de bares e restaurantes.

As medidas, entretanto, variam nas vinte regiões do país. A Calábria e o Veneto já autorizaram a reabertura de bares e restaurantes.

"Não baixem a guarda. A fase II começa. Devemos ser cientes de que este será o começo de um desafio ainda maior", alertou o chefe do grupo de trabalho encarregado de responder à pandemia, Domenico Arcuri.

- "Histórico" da China -

A pandemia já causou pelo menos 24.576 mortes em todo o mundo desde que surgiu na China em dezembro, mais de 85% delas na Europa e nos Estados Unidos, de acordo com o último balanço estabelecido pela AFP com base em fontes oficiais.

Nos Estados Unidos, com 67.155 mortos, apesar dos trágicos balanços diários, alguns estados estão flexibilizando medidas restritivas para relançar a economia.

Neste domingo, o governo dos EUA novamente responsabilizou a China pela pandemia.

"Há uma enorme quantidade de provas de que foi ali que começou", disse o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, referindo-se ao laboratório de virologia na cidade de Wuhan, no centro da China, a região onde os primeiros pacientes foram detectados no final de dezembro.

"Acho que o mundo todo pode ver isso agora. Lembrem-se, a China tem um histórico de infectar o mundo e administrar laboratórios de baixa qualidade", disse Pompeo.

O Instituto de Virologia de Wuhan afirma ser impossível que a pandemia tenha surgido a partir de uma falha em suas instalações. Apesar de ser um grande crítico da atuação da China no começo da pandemia, Pompeo não disse se acha que o vírus foi liberado intencionalmente.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na noite deste domingo que os Estados Unidos terão um antes do final do ano.

"Acreditamos que teremos uma vacina antes do final do ano", disse Trump em um especial da Fox News. "Os médicos vão dizer: você não deveria dizer isso. Mas eu digo o que penso".

Neste domingo, os líderes europeus expressaram apoio à iniciativa de Bruxelas de arrecadar 7,5 bilhões de euros para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus.

O mundo do entretenimento também está em movimento para arrecadar fundos. O "rei de Bollywood" da Índia, Shah Rukh Khan, junto com estrelas internacionais como o ator Will Smith e a lenda do rock Mick Jagger, fez um show on-line de quase cinco horas neste domingo para arrecadar fundos para os indianos afetados pela pandemia de coronavírus.

- Volta da Bundesliga? -

A Europa se prepara para suspender gradualmente o confinamento, embora as medidas sejam diferentes de um país para outro.

A suspensão das restrições já está em andamento na Alemanha, onde as escolas começam a reabrir gradualmente em algumas regiões nesta segunda-feira. Na Áustria, as ruas comerciais de Viena se recuperaram da agitação no sábado com a reabertura de lojas.

O ministro alemão do Interior e do Esporte monstrou-se favorável neste domingo em entrevista ao jornal Bild a retomar a liga de futebol, a Bundesliga. A Bundesliga seria o primeiro grande campeonato europeu a dar esse passo.

No Reino Unido, o pico da pandemia foi atingido, de acordo com o primeiro-ministro Boris Jonhson, que prometeu um plano de desconfinamento para a próxima semana. Contabilizando um total de 28.131 mortos neste domingo, o país é o segundo mais afetado na Europa, atrás da Itália.

Na França, onde o estado de emergência sanitária foi adiado até 24 de julho, o desconfinamento será feito em ritmos diferentes, dependendo da região.

- Pandemia acelera na América Latina -

Enquanto na Europa os casos caem, em outros países, como a Rússia, e na América Latina, eles estão crescendo.

Nas últimas 24 horas, a Rússia registrou 10.633 novos casos, totalizando 134.687 infecções confirmadas. A América Latina já ultrapassa 250.000 casos e está perto de 15.000 mortes. Os países mais atngidos são Brasil (quase 100.000 casos e 7.000 mortes), Peru e Equador, que respondem por 86% das mortes na região e 77% dos casos diagnosticados.

O presidente Jair Bolsonaro reiterou neste domingo em Brasília seu discurso contra o confinamento, enquanto o número de casos de coronavírus no país excede os 100.000, com mais de 7.000 mortes. O Brasil ocupa o nono lugar no mundo em termos de pessoas infectadas.

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado lançou uma petição online, assinada pelo ator Brad Pitt e pelos cantores Paul McCartney e Madonna, para exigir "medidas urgentes" das autoridades públicas para proteger os indígenas da pandemia.

Mais de cem municípios do Equador, incluindo Quito e Guayaquil, foco da pandemia no país, estenderão o confinamento ordenado pelo governo há sete semanas para tentar conter a disseminação do coronavírus.

Na cidade de Manaus, uma dos mais afetadas no Brasil, o prefeito Arthur Virgilio Neto, pediu em um tuíte à ambientalista militante Greta Thunberg que exercesse "sua influência" para ajudar a combater a pandemia do COVID-19 em sua cidade, localizado no coração da Amazônia.

Já o famoso fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado lançou neste domingo uma petição online assinada por estrelas como o ator Brad Pitt e os cantores Paul McCartney e Madonna, para exigir "medidas urgentes" das autoridades públicas para proteger os povos indígenas da pandemia.

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