Itália: Mario Draghi anuncia que continuará no cargo e pede acordo entre partidos da coalizão

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O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, anunciou nesta quarta-feira (20) que continuará no cargo, desde que os partidos de coalizão cheguem a um acordo para governar o país. O premiê está no poder desde fevereiro de 2021, e pediu demissão no dia 14 de julho, mas ela foi recusada pelo presidente italiano, Sergio Matarella.

Nesta quarta-feira (20), em um discurso o Senado, o premiê insistiu que a única saída para a atual crise política é chegar a um novo "acordo" entre as partes. "O único caminho a seguir, se quisermos ficar juntos, é reconstruir um pacto (de governo) com coragem, abnegação e credibilidade", propôs Draghi depois de perder o apoio de um partido da coalizão nacional.

Durante seu discurso, que terminará com uma moção de confiança, Draghi alertou que "a Itália não precisa mostrar confiança aparente, que desaparece quando se trata de tomar medidas difíceis".

O ex-presidente do Banco Central Europeu questionou diretamente os partidos de sua ampla coalizão, que engloba direita e esquerda: "Vocês, partidos e parlamentares, estão prontos para reconstruir esse pacto? Estão prontos para confirmar esse esforço?" perguntou.

"A resposta a essa pergunta não deve ser dada a mim, mas a todos os italianos", disse ele. "A Itália é forte quando está unida", acrescentou. Os desafios internos (recuperação econômica, inflação, emprego) e externos (independência energética, guerra na Ucrânia) que a Itália e a União Europeia enfrentam "exigem um governo verdadeiramente forte e unido e um Parlamento que o acompanhe com convicção", sublinhou.

Mensagem ao Movimento 5 Estrelas

Draghi também enviou uma mensagem aos membros do Movimento 5 Estrelas, que na semana passada retiraram o apoio a um decreto-lei sobre a introdução de um salário mínimo. A medida é questionada pela direita. No entanto, Draghi reconheceu que as disputas internas e o "desejo de chamar a atenção" de alguns partidos, em alusão ao Movimento 5 Estrelas, minaram a confiança no seu governo.

"Um primeiro-ministro que não foi eleito deve ter o maior apoio possível. A unidade nacional é a garantia", afirmou. "Não votar a moção de confiança a um governo é um gesto claro. Não é possível ignorá-lo. Não é possível minimizá-lo porque vem depois de meses de golpes e ultimatos", confessou.

Uma eventual queda do governo de unidade poderia desencadear uma onda de revolta social diante da inflação galopante, ameaçar o gigantesco plano de recuperação financiado pela União Europeia e alimentar o nervosismo dos mercados.

Segundo as pesquisas, a maioria dos italianos quer que Draghi permaneça no cargo, o que o levou a desistir da renúncia. O primeiro-ministro deve comparecer à Câmara dos Deputados na quinta-feira (21). Após a abertura do debate, em que cada partido ilustrará sua posição, um voto de confiança definirá com qual maioria ele poderá contar para continuar governando ou não.

(Com informações da AFP)

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