Itália: Mario Draghi se demite, mas presidente não aceita renúncia e aumenta incerteza política

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AFP - REMO CASILLI
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O presidente do Conselho italiano, Mario Draghi, apresentou seu pedido de renúncia na noite desta quinta-feira (14). A medida foi tomada após a ruptura da coalização do governo. Mas o presidente Sergio Mattarella rejeitou o pedido, o que pode aumentar as incertezas políticas no país.

Draghi foi no final do dia até o Palácio Quirinal, sede da presidência, para se reunir com o chefe de Estado, Sergio Mattarella, que apesar de ter menos peso na vida política italiana, tem o papel de árbitro nesse tipo de situação. O chefe do governo saiu da reunião de mais de uma hora com o chefe de Estado sem fazer nenhuma declaração.

Em seguida, por meio de um comunicado, ele informou apenas que “entregaria sua demissão esta noite ao presidente da República”. Draghi disse que “a coalizão de união nacional que apoiava o governo não existe mais” e que ele se recusa a manter um mandato puramente “político”.

No entanto, poucos instantes depois, Mattarella anunciou que havia recusado o pedido de renúncia do chefe do governo. “O presidente da República não aceitou a demissão do presidente do Conselho e pede que ele se apresente no Parlamento (...) para que a situação seja avaliada”, informaram as equipes do chefe de Estado por meio de um comunicado.

O presidente do Conselho (cargo equivalente ao de primeiro-ministro na Itália) via seu governo ameaçado há dias. Principalmente após a decisão do Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema), membro da coalizão, de não votar no Senado a confiança em um decreto-chave. Giuseppe Conte, ex-chefe de governo e atual líder do M5E, anunciou na noite de quarta-feira que os senadores de seu partido não compareceriam ao voto de confiança

A recusa de Conte, que também renunciou no ano passado, se deve ao fato de que o decreto-lei proposto por Draghi, com medidas para ajudar famílias e empresas contra a inflação, também continha um projeto para construir um incinerador de lixo para Roma, ao qual os antissistemas se opõem energicamente por considerá-lo caro, poluente, ineficiente e ultrapassado como tecnologia. Durante a votação da semana passada na Câmara dos Deputados, o M5E votou a confiança no governo, mas depois se absteve de votar o decreto-lei.

Possíveis eleições antecipadas

Draghi já havia declarado em várias ocasiões que, sem o apoio do M5E, encerraria o seu mandato, apesar de o partido antissistema, vencedor das eleições de 2018 com 32% dos votos, estar em plena desordem e muitos de seus parlamentares (cerca de 50) terem emigrado para outros partidos.

Uma queda do governo pode provocar eleições antecipadas e os próximos meses vão ser complicados devido ao aumento da inflação e às reformas pendentes exigidas para o plano de recuperação financiado pela União Europeia, que concedeu cerca de € 200 bilhões (R$ 1 trilhão).

Mas, como o sistema parlamentar que governa a Itália é complexo, não se exclui a possibilidade de que Draghi obtenha um novo mandato e possa governar, mas com outra maioria.

O chefe do governo, economista de prestígio e ex-presidente do Banco Central Europeu, havia sido convidado em fevereiro de 2021 pelo presidente da República Sergio Mattarella para liderar uma coalizão heterogênea que reúne quase todos os partidos representados no Parlamento.

(Com informações da AFP)

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