Itália se blinda por coronavírus e Roma fica sem turistas e estudantes

Por Kelly VELASQUEZ
Garçons em frente a restaurante vazio na Praça Navona, em Roma

Roma amanheceu deserta nesta quinta-feira (05), sem turistas e estudantes. É o retrato de um país blindado e isolado diante da epidemia do novo coronavírus, depois de medidas extraordinárias adotadas pelo governo italiano, com o fechamento inédito de escolas e universidades.

O balanço atual no país é de 148 mortos para 3.858 casos.

No total, cerca de oito milhões e meio de estudantes deverão permanecer em casa até meados de março, uma medida sem precedentes para evitar que se propague o vírus e o sistema de saúde entre em colapso.

As portas de um dos colégios públicos mais conhecidas da capital, o Liceo Visconti, no coração de Roma, não foram abertas e a praça onde normalmente dezenas de estudantes se reúne ficou vazia.

O mesmo aconteceu em outro colégio histórico, o Julio César, onde a diretora, Paola Senese, organizava uma maneira de manter as aulas pela internet em meio a um prédio com corredores sem ninguém, com expediente somente dos funcionários do setor administrativo.

"As aulas estão suspensas, por isso estamos tentando ajudar os professores para que tenham todas as informações e dicas para conseguir manter o vínculo didático com os alunos", explicou à AFP-TV.

O fechamento de creches, escolas primárias, colégios, escolas secundárias e universidades nunca aconteceu na história da Itália, já que até mesmo durante a Segunda Guerra elas foram mantidas, apesar dos bombardeios dos aliados.

As medidas foram anunciadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte e explicadas por meio de uma mensagem de vídeo e tiveram repercussões a nível social e econômico.

"Nos organizamos com os pais, tentamos nos ajudar mutuamente para diminuir os imprevistos por causa do fechamento das escolas", reconhece a advogada Roberta Pregolini, de 43 anos, uma das poucas mães que caminhava pela cidade com seus filhos de 8 e 5 anos.

- Confiar nas medidas -

"A medida será eficaz se durar o suficiente", disse Walter Ricciardi, especialista italiano da Organização Mundial da Saúde (OMS), que assessora o governo.

"Devemos confiar nessas medidas, elas são necessárias", disse o jovem médico Carlo Previte, que elogiou o grupo de especialistas que assessora o governo.

As autoridades estimulam a educação a distância e estudam possíveis indenizações para famílias com filhos menores.

O governo também tenta impedir a propagação do vírus para que o sistema nacional de saúde não fique sobrecarregado.

"Em caso de crescimento exagerado, não apenas a Itália, mas qualquer país do mundo está em condições de enfrentar uma emergência" desse tipo, explicou Conte um dia antes.

Além das escolas, todas as competições esportivas, incluindo partidas de futebol, devem ser disputadas a portas fechadas na Itália até o próximo 3 de abril.

Ele também recomendou que as pessoas mais velhas e vulneráveis ficassem em casa.

Conte incentivou todos os italianos a limitar os contatos sociais, manter distância de um metro das pessoas, lavar as mãos com frequência, espirrar no cotovelo e evitar abraços e beijos.

Todas essas diretrizes foram distribuídas em centros educacionais.

"Temos mais tempo livre, dá para estudar mais. No entanto, perdem-se aulas importantes", confessou Fabio, de 12 anos, preocupado com o ano letivo.

As autoridades querem evitar eventos em massa sempre que possível, além de que defendem que as partidas de futebol sejam realizadas a portas fechadas.

Inúmeras feiras, congressos e eventos foram adiados. A ópera Turandot foi cancelada, com o cenário do artista chinês Weiwei, que estava agendada para o final de março e início de abril.

As ruas e vielas do centro histórico de Roma, geralmente cheias de pessoas e turistas, estavam quase desertas.

Os museus podem ser acessados sem longas filas e poucas pessoas andam em monumentos como o Coliseu ou o Panteão.

"Parece Roma de 40 anos atrás", disse Luigi, um antigo garçom no bairro de Trastevere.