Itaú estima que ritmo de crescimento da economia está mais próximo de 2%

Leo Branco

SÃO PAULO — O Produto interno Bruto (PIB) do Brasil veio acima da expectativas no terceiro trimestre e, por isso, a projeção do banco Itaú para a expansão da economia brasileira saiu de um ritmo de crescimento de 1%, em junho, para um ritmo 1,8% no dado mais recente, de setembro. A estimativa é de um indicador do próprio Itaú para medir o ritmo da atividade econômica e foi apresentado nesta quinta-feira em evento na sede do banco, em São Paulo.

Para o fechamento do ano, entretanto, o banco avalia que o PIB terá expansão de 1% por causa do baixo ritmo da atividade econômica no início do ano.

De acordo com as projeções do banco, o PIB brasileiro cresceu 0,4% no terceiro trimestre, em comparação ao período anterior, e deve expandir 0,7% no quarto trimestre. Entre os itens que explicam a alta está o bom desempenho do varejo, que expandiu 0,9% no terceiro trimestre.

O repique do PIB no fim deste ano deve levar a uma expansão mais intensa do PIB em 2020 — a projeção é de uma alta de 2,2%. A alta do PIB reflete a maior confiança dos agentes econômicos frente um cenário de crédito mais barato para empresas e famílias. Em três anos, a taxa básica de juros, a Selic, saiu de 13% para os atuais 5%, uma mínima histórica.

O ciclo de queda nos juros, por sua vez, é uma consequência de um cenário de contas públicas mais ajustadas, na visão do economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita. Nas projeções do banco, reformas como a regra do teto de gastos e as mudanças na Previdência podem estabilizar a expansão dos gastos públicos acima da inflação.

Isso é importante para reduzir a necessidade de o governo emitir dívida para pagar despesas correntes e, por isso, alivia a expansão do endividamento público, hoje perto de 80% do PIB.

— Estamos começando a ver uma estabilização da dívida pública mas ela ainda é de certa forma precária e depende da continuidade das reformas e do ajuste fiscal — disse Mesquita.

Apesar da melhoria dos fundamentos da economia brasileira, e do repique no PIB, o país só deve chegar em 2021 ao mesmo nível de atividade econômica de 2014, quando começou a profunda crise econômica da qual o Brasil saiu apenas três anos mais tarde, na projeção do Itaú.