Itaú revisa projeção do PIB e prevê recessão por causa do coronavírus

João Sorima Neto
Com epidemia de coronavírus, banco Itaú prevê recessão para o Brasil neste ano

SÃO PAULO - Em nova revisão dos impactos da pandemia do novo coronavírus na economia brasileira, o Itaú Unibanco também estima que o país entrará em recessão este ano. O maior banco privado do país mudou a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de um crescimento de 1,8% para uma retração de 0,7%. Este cenário considera que a paralisação da economia brasileira (o chamado lockdown) atinja 75% do que aconteceu na China. Mas se a paralisação da economia brasileira chegar a 100%, a queda do PIB pode chegar a 1,6% este ano, estima o Itaú.

— Se o lockdown brasileiro for de 50% em relação ao que aconteceu na China, então o PIB pode crescer 0,2%. Dependendo do cenário, nossa estimativa para o PIB varia de uma queda de 1,6% até um leve crescimento de 0,2% — disse Mario Mesquita, economista-chefe da instituição em teleconferência com jornalistas.

Mesquita considera que a crise terá caráter transitório. Ele afirmou que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo mitigam o risco de um crescimento muito elevado do desemprego. Ele afirmou que as empresas reduziram muito suas dividas, inclusive trocando dívidas em dólar por dívida em reais, o que reduz a possibilidade de quebradeira.

— Não vemos as empresas e os bancos expostos a ativos cambiais, como aconteceu em 2008. Na minha avaliação, o maior desafio não é fornecer um volume de recursos para estimular a economia. Isso será aprovado pelo Congresso. O maior problema será operacional, ou seja, como fazer esses recursos chegarem aos trabalhadores informais e às pequenas empresas — disse.

Ele avalia que o teto de gastos deva ser mantido, porque tem sido fundamental, mas acredita que a pandemia terá impacto fiscal. O banco estima que o déficit primário do governo este ano, que era estimado em R$ 85 bilhões pelo banco, deverá ser de R$ 250 bilhões. Mesquita afirma que a valorização das reservas internacionais do governo, com a alta do dólar, ajuda a mitigar o impacto fiscal.

Embora considere a crise temporária, Mesquita avalia que há riscos que podem transformá-la num evento mais permanente. Isso aconteceria no caso de uma quebradeira generalizada de empresas.