Italianos esperam consenso para que Mario Draghi permaneça na chefia do governo

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REUTERS - VALENTYN OGIRENKO
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Nesta quarta-feira (20) o Parlamento italiano vai votar a confiança no primeiro-ministro Mario Draghi. No último 14 de julho ele apresentou sua renúncia ao presidente da República Sergio Mattarella, que rejeitou o pedido. Recente sondagem revela que a maioria dos italianos quer a permanência do premiê até o final da legislatura, em março do ano que vem.

A Itália vive 5 dias de suspense sobre o destino da crise no governo. A maioria dos italianos espera que os políticos encontrem um consenso para evitar eleições antecipadas em um momento de tensão econômica e tumulto internacional .

Depois que o presidente da República Sergio Mattarella rejeitou a renúncia de Mario Draghi, amanhã o primeiro-ministro irá ao Senado e à Câmara dos Deputados. No Parlamento, o premiê vai comunicar se está disposto a continuar na chefia do Executivo ou quais são as condições para que ele permaneça na liderança. Após o seu discurso, os parlamentares votarão uma moção de confiança.

Draghi só considera a possibilidade de continuar no cargo atual se tiver um apoio compacto de todos os partidos da sua aliança. O apoio foi rompido pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), que na semana passada não votou a confiança de um decreto chamado de Decreto Ajudas. Trata-se de um pacote de € 17 bilhões com medidas para amenizar o impacto da inflação, ou seja, do aumento dos preços de matérias-primas e da energia sobre os custos de empresas e famílias.

Vale lembrar que o banqueiro Mario Draghi assumiu a chefia do Executivo em 2021 para formar o chamado governo de união nacional capaz de enfrentar a emergência econômica agravada pela pandemia de Covid-19. Sem o apoio do Movimento 5 Estrelas, ele considera que o governo se torna “político” e perde as razões que o levaram a liderar o gabinete.

Desacordo do Movimento 5 Estrelas

As divergências do ex-premiê Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas, com o atual primeiro-ministro Draghi vem crescendo nos últimos meses. No fim de junho houve um desacordo dentro do Movimento sobre o envio de armas à Ucrânia. O M5S é contrário a mandar armamentos, mas alguns parlamentares do partido votaram com a maioria a favor. O envio acabou sendo aprovado.

Esta decisão ampliou a divisão dentro do partido e culminou com a saída de Luigi di Maio, ministro das Relações Exteriores. Di Maio então criou seu grupo parlamentar chamado Juntos para o Futuro (Insieme per il Futuro), que conta com cerca de 60 componentes entre deputados e senadores que deixaram o Movimento 5 Estrelas.

Outra divergência é sobre o decreto de ajudas. Há cerca de duas semanas, Conte encontrou Draghi e na conversa o líder do 5 Estrelas entregou uma lista de nove pontos que o partido considera fundamentais para continuar no governo. Entre as exigências está a criação de um salário mínimo para trabalhadores. Por sua vez, o primeiro-ministro Draghi respondeu a Conte que muitos dos tópicos já fazem parte das prioridades do governo e disse que não trabalha com ultimatos.

Em recente entrevista a jornais italianos, Di Maio afirmou que o ex-premiê quer se vingar porque foi obrigado a deixar o Palácio Chigi, sede do governo. “Tenho certeza de que Conte está realizando uma vingança política ao nocautear Draghi. Ele ainda não aceitou que teve que sair do Palácio Chigi” disse o ministro das Relações Exteriores.

“Conte faz um favor à Rússia”

O ex-ministro Luigi Di Maio declarou também que a instabilidade politica da Itália favorece os interesses da Rússia.

“A verdadeira questão é explicar onde começa essa instabilidade. Ela é desencadeada por um partido, o partido de Conte, que não tem mais nada a ver com o Movimento 5 Estrelas. Em 20 de junho, Conte recebeu o aval do embaixador russo em Roma sobre o projeto de resolução que indicava a linha italiana sobre a Ucrânia”.

Di Maio não tem certeza que haja uma influência russa por trás da crise, mas afirma que “Putin trabalha para desestabilizar a Itália e a Europa. Certamente quem está causando a crise está entregando o país à extrema direita”.

O ex-presidente russo Dmitri Medvedev faz sarcasmo sobre a renúncia de Mario Draghi ao cargo de primeiro-ministro. O atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia publicou no Telegram uma foto de Boris Johnson e de Mario Draghi ao lado da silhueta negra de um rosto tapado por um ponto de interrogação branco. Ele lançou questão: quem será o próximo a cair?

M5S despenca

Fundado pelo comediante Beppe Grillo, o Movimento 5 Estrelas é considerado como “antissistema”. Em 2018 venceu as eleições com 34% da preferência popular e como maior partido participou de todas as formações do Executivo desde o início da atual legislatura. As disputas de poder interna e a crise de identidade fizeram o M5S despencar para 10% das intenções de voto nas pesquisas, ou seja, passou do primeiro ao quarto lugar.

Antes de ser nomeado primeiro-ministro em 2018, o advogado Giuseppe Conte era um desconhecido na política. Hoje o ex-premiê exerce a função de presidente do Movimento 5 Estrelas, mas não é parlamentar.

No primeiro governo Conte, o M5S se aliou com a Liga, partido de extrema direita e eurocético. Quando o líder da Liga, Matteo Salvini provocou a queda do governo, em agosto de 2019, o premiê refez a maioria com o Partido Democrático e outras frentes de centro esquerda.

Em fevereiro de 2021, após outra crise política em plena pandemia, Draghi assumiu a chefia do governo chamado de união nacional, com todas as forças políticas exceto os Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia), partido de extrema direita liderado pela deputada Giorgia Meloni.

Posição dos partidos sobre a crise

Os parlamentares de centro esquerda, principalmente do Partido Democrático, se esforçam para mediar a crise e acreditam em uma reconciliação do Movimento 5 Estrelas com o premiê Mario Draghi. Já os partidos de centro direita, como Forza Italia de Silvio Berlusconi, de extrema direita, como a Liga de Salvini, afirmam que com o Movimento não é possível governar.

A oposição dos Irmãos da Itália pede eleições antecipadas antes que termine a legislatura em março do próximo ano. Vale lembrar que, segundo as pesquisas, este partido de extrema direita conta com o maior apoio popular no país, 22,5%.

O que pensam os italianos

Uma pesquisa do instituto Demopolis indica que 65% dos italianos querem que Mario Draghi continue como primeiro-ministro até o fim da legislatura. Os dados apontaram que 27% dos eleitores são contrários e pedem eleições antecipadas.

Nos últimos dias, mais de mil prefeitos italianos e presidentes de regiões, de diversos partidos, pediram para que ele permaneça na chefia do Executivo. Empresários, comerciantes, trabalhadores e intelectuais também assinaram uma petição para que Draghi não renuncie.

Desde a proclamação da República em 1946, a Itália já teve 67 governos. Isso significa que nos últimos 76 anos, a duração média é cerca de 13 meses para cada Executivo. Mas neste momento, a preocupação da maioria dos italianos não é com a turbulência politica e sim com a economia do país. Muitas ajudas econômicas ainda têm que ser aprovadas ou desbloqueadas e a inflação e a guerra na Ucrânia agravam a instabilidade.

O economista Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, conta com prestígio das instituições internacionais. Muitos líderes europeus acreditam que a saída do banqueiro seria um grande abalo na União Europeia.

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