Itamaraty confirma mortes de brasileiros que estavam na Guerra da Ucrânia como voluntários

O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta terça-feira, a morte de dois brasileiros que estavam na guerra da Ucrânia contra a Rússia como voluntários. Em nota, o Itamaraty informou ter recebido a informação sobre o falecimento da Embaixada do Brasil em Kiev.

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Os dois brasileiros mortos são Douglas Búrigo e Thalita do Valle. A morte de ambos aconteceu na última sexta-feira, dia 1º de julho, em meio a um confronto entre tropas russas e ucranianas.

Com essas as mortes de Búrigo e Thalita, chega a três o número de brasileiros que morreram lutando na guerra, incluindo André Hack Bahi, que morreu no início de junho.

Em nota enviada ao GLOBO, o Itamaraty afirma que as mortes de Búrigo e Thalita aconteceream "em decorrência do conflito naquele país e mantém contato com familiares para prestar-lhes toda a assistência cabível, em conformidade com os tratados internacionais vigentes e com a legislação local".

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O Itamaraty acrescenta que desde o começo do conflito desaconselha "enfaticamente deslocamentos de brasileiros à Ucrânia, enquanto não houver condições de segurança suficientes no país".

Ex-militar do Exército brasileiro, Douglas Burigo, que tinha 40 anos, viajou para a Ucrânia há cerca de 40 dias. Após um período de treinamento, ele ingressou no mesmo pelotão de André Hack, o primeiro brasileiro a morrer no conflito.

Douglas Búrigo era ativo nas redes sociais, onde compartilhava seu dia a dia junto aos militares ucranianos. Na última publicação, que data do dia 11 de junho, mensagens lamentando sua morte foram deixadas por amigos.

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Thalita também tinha experiência em atuar em áreas de risco, seja provocado por guerra, como no Curdistão iraquiano (região autônoma), ou por desastres ambientais, como em Brumadinho e Petrópolis.

Nas redes sociais, ela compartilhava um pouco de seus trabalhos, como num vídeo publicado no YouTube em setembro de 2019, em que mostra um front de batalha no Iraque, a partir da localidade controlada pelos peshmergas, uma classificação que ela usava para se identificar em sua descrição no TikTok. Este termo diz respeito às forças armadas dos curdos, que lutaram contra o Estado Islâmico, e significa algo como "aqueles que encaram a morte".

Bahi, o primeiro soldado brasileiro a perder a vida em combate durante a guerra, era natural de Porto Alegre e criado em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul. Ele chegou à Ucrânia no final de fevereiro pela fronteira com a Polônia, tendo ido até lá pagando a passagem do próprio bolso. Antes de ir para a Ucrânia ele esteve em Portugal, vindo de Fortaleza, onde morava.

Por já ter experiência de combate — além de ter servido e trabalhado como segurança privado no Brasil, ele já tinha feito parte da Legião Estrangeira da França —, rapidamente passou a integrar as Forças Especiais do Exército ucraniano, ao lado de outros dois brasileiros, Leanderson Paulino e André Kirvaitis.

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