Itamaraty pediu retirada de elogios à OMS de documento, mas foi ignorado pela ONU

·2 minuto de leitura
Brazilian Foreign Minister Ernesto Araujo offers a press conference at Itamaraty Palace in Brasilia on March 2, 2021. - Araujo discussed the possibility that members of the South American Mercosur bloc -Brazil, Argentina, Paraguay and Uruguay- sign individual deals outside the regional trade bloc, among referring to other issues. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Pedido de mudanças aconteceu durante a gestão de Ernesto Araujo no Itamaraty (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Ministério das Relações Exteriores pediu mudança em documento feito por grupo de países

  • Itamaraty queria exclusão de elogios à OMS e de menções a direitos sexuais

  • Assembleia Geral da ONU ignorou pedidos do Brasil

Em agosto de 2020, o Ministério das Relações Exteriores, ainda sobre o comando de Ernesto Araújo, pediu a modificação de uma declaração conjunta de um grupo internacional cujo objetivo era fortalecer os sistemas de saúde durante a pandemia.

Segundo informações da TV Globo, a pasta queria a modificação de dois pontos:

  • Exclusão de elogios à Organização Mundial da Saúde

  • Retirada de menções a direitos sexuais e reprodutivos

O documento foi enviado pelo Itamaraty à delegação brasileira que participou da negociação junto à Foreign Policy and Global Health Initiative, em tradução livre, Iniciativa de Política Externa e Saúde Global. O grupo existe desde 2006, quando foi criado por uma iniciativa da França e da Noruega. Os pareceres emitidos são submetidos à Assembleia Geral da ONU.

Leia também

A resolução final do documento, que passou pela Assembleia Geral da ONU, ignorou os pedidos do Brasil e manteve os elogios à OMS e a menção aos direitos reprodutivos.

Exclusão de elogiou à OMS

O Brasil pediu que fossem retirados do texto elogiou feitos à Organização Mundial da Saúde. A justificativa é que o documento “omite qualquer crítica à organização”.

“O Brasil compreende a dificuldade de algumas delegações de evitar criticar publicamente a OMS no contexto da pandemia, mas tampouco pode aceitar menções elogiosas, sem qualificações”, alegou o Ministério das Relações Exteriores.

De acordo com o Itamaraty, era importante “reiterar o papel e a responsabilidade primária dos estados no enfrentamento da covid-19”.

Retirada de menções a “direitos sexuais e reprodutivos”

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a minuta tinha temas importantes relativos à pandemia, mas incluía pontos chamados de “questionáveis”. “Em particular, permanecem na versão atual da proposta menções que deveriam ser suprimidas ou alteradas, sobretudo no que respeita a referências a direitos sexuais e reprodutivos”, dizia o Itamaraty.

O trecho que o Brasil pediu para ter excluído dizia que os serviços nacionais de saúde deveriam incluir “serviços de saúde sexual e reprodutiva, recém-nascidos, serviços de saúde infantil e materna, bem como serviços de saúde mental e doenças transmissíveis, incluindo HIV, malária e serviços de saúde de tuberculose”.

A TV Globo procurou o Itamaraty, mas não teve resposta.