Itamaraty promove mistura do Brasil com Egito com show do Olodum no Cairo

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - Fachada do Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - Fachada do Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Trinta e cinco anos após lançar o hit "Faraó - Divindade do Egito", o Olodum se apresenta pela primeira vez no país africano, com o apoio do Itamaraty, que busca exaltar a cultura negra brasileira no exterior.

O primeiro show, no Cairo Jazz Festival, acontece nesta sexta (4), quando se celebram os cem anos da descoberta da tumba de Tutancâmon. No sábado, o grupo se apresenta na Opera House de Alexandria.

Para João Jorge Santos Rodrigues, presidente do Olodum, a banda ajuda a destacar a importância de personagens negros do Egito antigo, como os faraós Aquenatón e Tutancâmon, da 18ª dinastia.

"Cantamos isso desde 1987. Esses faraós são de um período em que a presença africana negra era fundamental no Egito. Queremos, ainda, projetar a música brasileira baiana do Olodum num ambiente que consagrou o berço da civilização", afirma Rodrigues. Quatorze músicos participam da viagem.

Segundo o embaixador do Brasil no Egito, Antonio Patriota, que foi ministro das Relações Exteriores durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), levar a cultura afrobrasileira para o Cairo e Alexandria traz benefícios comerciais, turísticos e diplomáticos ao país. O intercâmbio cultural, para ele, é uma forma de patrocinar o Brasil em uma das nações mais importantes do mundo árabe.

"O Egito é um mercado importante para os nossos produtos agrícolas como milho e açúcar. Importarmos fertilizantes egípcios. O país também é uma potência turística", afirma o diplomata.

Ele cita como exemplo a atuação do Itamaraty junto ao governo egípcio para que haja um voo direto entre o Cairo e São Paulo da companhia estatal EgyptAir. "Facilitará não só contatos econômicos, comerciais, acadêmicos, institucionais e de investimentos, mas também excursões. Gostaríamos de ver o turismo egípcio aumentar no Brasil, e o Olodum pode impulsionar isso ao despertar o interesse pelo Brasil."

O grupo, que nasceu em 1979 na periferia de Salvador, no bairro Maciel-Pelourinho, já tocou com artistas como Michael Jackson, Pet Shop Boys e Jimmy Cliff, além de arrastar multidões ao Carnaval de Salvador.

"Um dos grandes sucessos do grupo é 'Faraó', música que fala do empoderamento dos negros. Como o Brasil é o maior país afrodescendente fora da África, é natural que tenhamos grande interesse por essa cultura. O Brasil não existiria como é hoje sem uma forte participação do elemento africano", diz Patriota.

Além das duas apresentações, o Olodum levará ao Egito oficinas sociais que realizam em Salvador e em Florianópolis e que já fizeram em países como Argentina, Canadá e Estados Unidos.

Serão duas aulas sobre cultura afrobrasileira e percussão no Cairo e outra para 25 crianças num abrigo em Alexandria, com apoio do Ministério da Cultura egípcio. O público-alvo são músicos e jovens em situação de vulnerabilidade, explica Rafaela Seixas, primeira-secretária da embaixada do Brasil no Cairo.

"O Olodum surgiu como um projeto social. Querem tirar pessoas negras da marginalidade e mostrar a cultura negra ao mundo. Talvez coloquem nessas crianças e adolescentes uma fagulha para eles se interessarem por música e, quem sabe, profissionalizarem-se no futuro", afirma a diplomata, negra, soteropolitana e chefe dos setores de promoção cultural e comercial da representação diplomática.