Itamaraty revela que Brasil não fechou acordo com Israel para compra de spray contra Covid-19

·2 minuto de leitura
A technician displays a sample of an anti-viral nose spray developed by biotech company SaNOtize at the company's lab in Nezz Ziona on April 7, 2021. (Photo by Emmanuel DUNAND / AFP) (Photo by EMMANUEL DUNAND/AFP via Getty Images)
(Foto: Emmanuel DUNAND / AFP via Getty Images)
  • Telegramas entre países foram colocados em sigilo por 15 anos

  • Acordo deveria ter sido firmado em viagem de delegação brasileira ocorrida em março desse ano

  • Revelações foram feitas em resposta a questionamento da bancada do PSOL na Câmara sobre a viagem

O Brasil não assinou acordo para desenvolvimento conjunto ou importação de spray nasal contra o novo coronavírus em viagem a Israel realizada pelo ex-chanceler Ernesto Araújo este ano. O tratamento, desenvolvido no hospital Ichilov, era uma das apostas do governo Jair Bolsonaro no combate à pandemia.

As revelações foram feitas em relatório entregue pelo novo chanceler Carlos França à bancada do PSOL na Câmara, no dia 7 de maio.No entanto, o governo classificou como reservadas ou secretas os telegramas trocados com o governo israelense, o que os torna inacessíveis por 15 anos, ou até 2036. 

Leia também

O PSOL pedia explicações sobre a viagem da delegação brasileira a Tel Aviv em março desse ano, que contou com a participação do ex-chanceler Ernesto Araújo, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o deputado Helio Lopes (PSL-RJ), o assessor especial Filipe Martins, e do então secretário de Comunicações, Fabio Wajngarten. Com eles viajaram apenas dois representantes técnicos: Hélio Angotti Neto, do Ministério da Saúde, e Marco Morales, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

A viagem, feita em avião da FAB, custou R$ 88 mil, sem contar gastos arcados pelo governo local.

O relatório confirma reunião da delegação com o hospital responsável pelo desenvolvimento do spray EXO-CD24. Na conversa, foi feito um acordo de cooperação entre os países para que o Brasil integrasse as próximas fases de desenvolvimento do medicamento, "com vistas à participação do Brasil no desenvolvimento conjunto do produto (fase 2 e 3 de estudos), caso a Anvisa e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa autorizem ensaios clínicos no país", diz o relatório.

No entanto, a cooperação não se concretizou por escrito, de acordo com o mesmo texto do Itamaraty. 

"No que diz respeito à carta de intenções entre o Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Saúde e OBCTCCD24 LTDA [empresa que desenvolve o produto] sobre cooperação em relação ao spray nasal EXO-CD24, cujo objetivo seria consolidar a intenção do governo brasileiro de dar continuidade ao diálogo sobre cooperação com aquela empresa, o projeto da carta não teve sua celebração completada, uma vez que não foi assinada pelo representante do Ministério da Saúde e não chegou à troca de instrumentos entre os signatários, conforme prática de negociações internacionais", diz a resposta, assinada por França.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos