Ivan Baron diz que convite para posse de Lula partiu de Janja e comemora: 'Finalmente pessoas com deficiência tiveram espaço'

Influenciador digital que participou da cerimônia de posse de Lula neste domingo, dia 1º, o potiguar Ivan Baron, que tem paralisia cerebral decorrente de uma meningite viral, falou em "sentimento de realização" ao comentar o momento histórico do qual participou.

— Foi um sentimento de realização, depois de tanto retrocesso nesses ultimos seis anos, finalmente as pessoas com deficiência tiveram um espaço de visibilidade e protagonismo — falou ele ao EXTRA.

A convite de Janja ("O convite surgiu através de uma ligação da própria Janja, na semana passada", contou) Ivan integrou o grupo que representou a população brasileira, simbolizando a diversidade, e subiu a rampa com Lula para entregar a faixa presidencial. Ele, que começou a dar seus primeiros passos como influenciador em 2018, tinha pouco mais de 340 mil seguidores antes de aparecer na cerimônia de posse, ainda durante a tarde. Na noite deste domingo, às 20h50, seu perfil no Instagram, onde se apresenta como Influenciador da Inclusão, passava dos 381 mil seguidores.

— Eu já esperava uma repercussão, mas, acima de tudo, acho importante cada vez mais pessoas terem acesso a pautas de inclusão e acessibilidade, que ainda hoje são tão pouco disseminadas — diz ele, complementando que, apesar do espaço que conquistou nas redes, não imaginava que um dia faria parte de algo tão grande como a cerimônia da posse de Lula neste domingo: — Jamais esperava, mas sempre desejava! As pessoas têm se reconhecido bastante com o que eu trago nas redes, principalmente pelo fato da ausência de representatividade.

Aos 3 anos, Ivan Baron teve uma meningite viral provocada por uma intoxicação alimentar, o que resultou na paralisia cerebral. Ele ganhou o título de influenciador da inclusão por combater ao capacitismo e buscar por representatividade midiática para pessoas com deficiência. Sobre a mensagem que gostaria de passar aos seus seguidores com a participação no evento deste domingo, ele diz:

— Que a sociedade no geral aprenda cada vez mais e dê oportunidades para pessoas com deficiência contarem suas proprias narrativas.

Para ele, a representatividade da sua participação também sela um compromisso do governo de Lula com a pauta capacitista.

— O povo brasileiro empossou um presidente. Isto mostra um governo que se coloca disposto a ser diverso. A roupa que usei diz muito sobre a representatividade que espero. A moda é política e inclusiva, por isso minha roupa traz frases de empoderamento e o recado "parem de nos excluir". Eu tive paralisia cerebral, é verdade, mas, apesar do nome, isso nunca me paralisou. É um combustível para realizar os meus sonhos — diz Ivan Baron.

O grupo que subiu a rampa

A responsável por colocar a faixa em Lula foi a catadora de materiais recicláveis Aline Sousa, que tem 33 anos. Ela contou ter sido convidada para participar da cerimônia há dez dias. Desde então, manteve o segredo, mesmo em relação ao seu marido.

O pequeno Francisco, de 10 anos, também presente no momento, é morador de Itaquera, corintiano e ficou em primeiro lugar em 2022 no campeonato de natação da Federação Aquática Paulista. O cacique Raoni Metuktire é uma das principais lideranças indígenas do Brasil, reconhecido mundialmente, e hoje tem 90 anos.

Completaram o grupo Weslley Rodrigues Rocha, de 36 anos, metalúrgico do ABC desde seus 18; Murilo de Quadros Jesus, de 28, professor de português e morador de Curitiba; Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que mora em Maringá (PR); e Flávio Pereira, de 50 anos, artesão que esteve na vigília em Curitiba durante a prisão de Lula.