Ivanir dos Santos: ‘A marginalização dos nossos corpos é cotidiana’

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Pedagogo e pós-doutorando em História Comparada pela UFRJ, sacerdote de candomblé e babalawô, Carlos Alberto Ivanir dos Santos também é há quatro décadas um devotado militante dos Direitos Humanos nas questões ligadas a racismo e intolerância religiosa. Suas frentes de luta vão das ruas à academia, passando pela atuação no Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap). No Dia da Consciência Negra, Ivanir dos Santos faz um balanço dessas batalhas da sociedade em entrevista ao EXTRA.

Quando foi o seu Dia da Consciência Negra particular? Um dia ou momento especial de autodescobrimento?

Eu nasci preto. Minha consciência é cotidiana.

O senhor é Doutor em História Comparada pela UFRJ e dá aulas na Uerj: há racismo na academia?

Sim. Como disse, o racismo é estrutural e está na base das construções das relações sociais, políticas e econômicas do país. Um bom exemplo é o caso recente de racismo que aconteceu com o professor Wallace de Moraes (o professor do departamento de Ciência Política da UFRJ denunciou ter sido alvo de discriminação e solicitou uma sindicância para apurar o episódio).

Em agosto, o senhor foi convidado a dar seu testemunho na CPI da Intolerância Religiosa, na Alerj. Podemos esperar resultados práticos da comissão?

O trabalho da comissão já é o avanço! Quando a sociedade brasileira conjecturou a possibilidade de uma CPI da Intolerância Religiosa? Obviamente que não podemos projetar um trabalho para “ontem”, mas acredito que teremos grandes desdobramentos.

O que a sua trajetória, a do ex-interno da Funabem que se tornou “Doutor”, pode ensinar para tantos outros meninos negros que crescem em condições adversas no país?

Que podemos ser muito mais do que as expectativas raciais projetam sobre os nossos corpos pretos. A história bem nos mostra que a marginalização dos nossos corpos é cotidiana. A sociedade brasileira nos vê como corpos descartáveis, e quando ultrapassamos as barreiras impostas pelas estruturas que compõem a nossa sociedade estamos reescrevendo as nossas histórias.

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