'Já foi preso? 'Danificou algum bem público?': veja o questionário que a PF fez aos presos por atos golpistas

Diante do elevado número de presos, a Polícia Federal preparou um questionário padrão para fazer aos mais de 1.500 detidos acusados de participação nos atos golpistas (confira abaixo o modelo). Os suspeitos foram perguntados se já tinham sido detidos anteriormente, se "danificaram algum patrimônio público na Esplanada dos Ministérios", "quem financiou a vinda" deles a Brasília, quais eram seus perfis nas redes sociais e se "incentivaram as manifestações".

Além do questionário, o delegado ou escrivão da PF poderiam aprofundar em alguma outro assunto se considerassem pertinente.

O interrogatório dos presos foi feito na Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília, onde o ginásio poliesportivo foi adaptado para receber todos os detidos.

O número recorde de presos levou a PF a treinar os agentes para a tomada de depoimentos. Mesmo assim, o procedimento já se arrasta há mais de 30 horas. Cada oitiva dura em média de 30 a 40 minutos.

A demora também se refere ao fato de alguns presos terem se recusado a serem interrogados pela PF. Eles foram mudando de ideia à medida em que foram sendo atendidos por seus advogados. Nesta terça-feira, mais de 60 defensores compareceram à Academia da PF para prestar auxílio aos seus clientes.

Até o início da noite desta terça-feira, 727 pessoas haviam dado entrado no sistema penitenciário do Distrito Federal acusados de golpe de Estado, atos contra o Estado Democrático de Direito e associação criminosa Outras 599 pessoas foram liberadas por "questões humanitárias", segundo a PF. Entre elas estão idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças.