'Já fui chamada de negra burra. Hoje tenho três faculdades. Isso é resistência', diz Aída dos Santos, que desfila pelo Salgueiro

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RIO — Com o enredo "Resistência", a Acadêmicos do Salgueiro entra hoje na Sapucaí para reverberar a luta e a coragem da população negra para garantir a preservação de sua cultura, fé e lugar de fala. E uma das personagens históricos desse desfile é a ex-atleta olímpica Aída dos Santos, de 85 anos, que, antes de entrar na Avenida, disse temer chorar no desfile por lembrar do preconceito que sofreu.

— Na minha época de colégio, quando eu errava a tabuada, a professora pegava minha cabeça e batia no quadro. Me chamava de negra burra. Quando eu jogava voleibol, gritavam da arquibancada 'sai daí, sua negra, seu lugar é na cozinha'. Eu sofri demais. Hoje, tenho três faculdades: geografia, educação física e pedagogia. Isso é resistência. O negro precisa se valorizar, principalmente através do estudo, porque a gente já nasce ouvindo 'não' — lembrou a única mulher brasileira na Olimpíada de 1964, em Tóquio.

Sua filha, a jogadora de vôlei Valeskinha, também desfila pela vermelho e branco e destacou a atenção dada às escolas de samba esse ano à pauta antirracista:

— (O racismo) é uma coisa que está engasgada há muito tempo, e o pessoal agora resolveu falar. São muitas vidas negras perdidas não só no Brasil, como no mundo. Vamos esperar que, com esse engajamento, a gente obtenha movimentos para que acabar de vez com isso.

A atriz Juliana Alves, um dos destaques da Furiosa, diz perceber alguns movimentos na sociedade "sinalizando a valorização da nossa raiz cultural".

— Hoje, existe uma atenção maior ao problema do racismo. Vejo como tudo o que sempre esperei, porque é muito contraditório a população negra construir essa festa grandiosa como e não ser protagonista. Tem espaço para todos, mas precisamos de protagonismo negro — avaliou.

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