Jéssica Ellen lança música 'Macumbeira' para falar de ancestralidade e diz que é preciso manter aberta a ferida da escravidão

Maria Fortuna
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Gabriella Maria / Divulgação

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Gabriella Maria / Divulgação

Ao batizar o single que lança hoje de “Macumbeira”, a atriz e cantora Jéssica Ellen provoca e acolhe ao mesmo tempo. Provoca os intolerantes religiosos e a ignorância de quem usa a palavra para atacar. Acolhe pessoas que compartilham com ela a fé em religiões de matriz africana, historicamente perseguidas no país.

A música chega às plataformas digitais neste Dia da Consciência Negra não por acaso. É um canto forte de autoafirmação de fé e autoestima do povo preto. A canção é a primeira de um EP que a artista lançará em 20 de janeiro.

Para explicar o efeito que deseja causar com “Macumbeira”, Jéssica, cita como exemplo a palavra “sapatão”. Aplicado pejorativamente para definir lésbicas, o termo foi totalmente ressignificado por elas.

— Se apropriaram de uma palavra usada para agredi-las e, hoje, se definem assim carinhosamente. Macumbeira tem isso. As pessoas olham uma oferenda na rua e dizem “chuta que é macumba”. Meu desejo é fazer com que se tenha orgulho em assumir - diz ela, que se iniciou no candomblé em 2017 e critica um certo modismo em torno da religião. — É uma hipocrisia usar branco na sexta-feira, que as pessoas acham cool, e não defender os terreiros quando são atacados. Conheço gente que toma banho de erva e faz simpatia, mas quando terreiros são invadidos não fala nada.

Nesta entrevista, Jéssica, de 28 anos, defende a importância de expor as feridas abertas da nossa história ("a escravidão tem que ser motivo de vergonha para a gente assim como o Holocausto é para os alemães") e diz que deve haver uma contribuição individual efetiva na na luta antirracista (“temos que ir além do quadradinho preto no Instagram”). A atriz também fala do namorado, Dan Ferreira, que cuidou dela quando contraiu Covid-19.

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