Jô Soares na literatura: um best seller aos 57 anos

Jô Soares estreou na literatura só aos 57 anos, mas em pouco tempo consolidou um estilo imediatamente reconhecível. Em romances como "O xangô de Baker Street" e "As esganadas", mostrou a verve humorística de sempre, unida ao amor pelas histórias policiais e ao gosto pela pesquisa histórica. Com mais de um milhão de livros vendidos em duas décadas, ele afirmou sua popularidade também como escritor.

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Em 1983, Jô lançou seu primeiro livro, "O astronauta sem regime" (L&PM), uma coletânea de crônicas de humor publicadas no jornal O GLOBO. Nove anos mais tarde veio “O humor nos tempos de Collor” (também da L&PM), com artigos dele, de Luis Fernando Verissimo e Millôr Fernandes. E, em 1994, “A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar” (Companhia das Letras), que reunia comentários sobre os mundiais de 1950 e 1954 assinados por Jô, Armando Nogueira e Roberto Muylaert. Mas foi apenas em 1995 que ele fez sua primeira incursão no gênero do romance, com "O Xangô de Baker Street" (Companhia das Letras).

Na trama, que se passa no Rio de D. Pedro II, o lendário detetive Sherlock Holmes vem ao país acompanhado do Dr. Watson para investigar uma série de assassinatos, misteriosamente ligados ao roubo de um valioso violino Stradivarius. O livro, adaptado para o cinema em 2001, vendeu até hoje mais de 500 mil exemplares e foi traduzido para 11 países.

Três anos depois do sucesso estrondoso, Jô publicou "O homem que matou Getúlio Vargas" (Companhia das Letras). No livro, o caminho do presidente se cruza com o do assassino sérvio Dimitri Borja Korozec, um desastrado matador profissional que se mete em confusões com personagens tão diferentes como Al Capone e Franklin Roosevelt, além do próprio Getúlio.

Ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1920, "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras" (Companhia das Letras), lançado em 2005, narra uma série de mortes de membros da ABL, que deixa os imortais atordoados com a possibilidade de serem vítimas de um serial killer. O comissário Machado Machado, sempre sedutor e de chapéu-palheta, está obstinado em provar que não há coincidências nessa história. A trama alia uma densa pesquisa histórica sobre a cidade e o período ao humor e ao estilo característicos do escritor, que nesse ano foi um dos destaques na programação da Bienal do Livro.

No seu quarto e último romance, "As esganadas" (Companhia das Letras), Jô continua na linha das obras anteriores: assassinatos em série, pesquisa histórica e, é claro, humor. Um detetive português e o chefe de polícia do Estado Novo, Filinto Muller, se envolvem nas buscas por um serial killer que só ataca mulheres gordas. Lançado em 2011, o livro já vendeu mais de 200 mil exemplares.

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