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Simone Tebet não vai mais concorrer à Presidência (REUTERS/Adriano Machado)
Simone Tebet não vai mais concorrer à Presidência (REUTERS/Adriano Machado)

Uma das maiores apostas da terceira via, a senadora Simone Tebet, deve ser rifada pelo MDB em detrimento de um apoio ao presidente Jair Bolsonaro na disputa presidencial de 2022. Chamada de “descontrolada” na CPI da Covid, a senadora resistiu. É o único nome feminino numa disputa presidencial que visa tirar do Palácio do Planalto um governo reconhecidamente machista.

Tornar-se protagonista numa sociedade patriarcal é um feito. Permanecer mesmo com comentários do tipo “hoje as mulheres têm o prazer de escolher a cor das unhas” é resistência. O Brasil fica atrás da Somália, por exemplo, quando o assunto é representatividade feminina.

Dois Projetos de Lei tentam mudar esse cenário determinando uma porcentagem mínima de mulheres a serem eleitas. Mas o ponto não é exatamente esse. O Brasil tem uma cultura patriarcal que precede o Brasil colonial. As mulheres vistas como “fracas, submissas e passivas” é um pensamento enraizado na sociedade. E, mesmo hoje, qualquer mulher que entre na política torna-se um alvo.

O modo de agir, a postura e mesmo o modo de vestir estão sempre sendo analisados como qualidades ou defeitos. Ou, de forma sutil e nem sempre necessariamente autoritária, são subjugadas num segundo plano quando, por exemplo, seu nome só é cogitado para ser vice numa chapa. “Vai ser bom para a coligação”. Como se fosse apenas um objeto decorativo.

Estudos demonstram que os eleitores vêm como positivo a sensibilidade, o instinto maternal e a capacidade de ouvir. Na arena eleitoral isso as transforma como as mais frágeis, menos competitivas e mais abnegadas. O homem quando é agressivo é taxado de assertivo.

As mulheres, “nervosinhas”. Se a mulher é assertiva, é “carrasca”. Dilma Rousseff era vista como “autoritária”, “cruel” e “dura demais”. Manuela D’Ávila sofre uma enxurrada de agressões todo dia que faria qualquer homem na política repensar seu espaço. Tabata Amaral é alvo de questionamentos que ultrapassam qualquer limite razoável de crítica envergonhando quem procura um mínimo de elemento racional no debate. Joyce Hasselmann foi mais alvo do seu peso do que seu histórico parlamentar.

Todas essas mulheres representam um dos maiores medos de uma sociedade machista: o de apresentar um poder maior que subverta essa sociedade patriarcal que insiste em dominá-las. Portanto, Simone Tebet, veja essa rifa de seu partido como um respiro. E, volte. Não deixe que as máscaras sociais utilizadas para manter a dominação e demarcar lugares dissimulem sua força. Numa eleição tão polarizada, talvez sair de cena seja um avanço.

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