Jacarezinho: boletim médico aponta que 5 dos 28 mortos tinham faces dilaceradas

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Os boletins de atendimento médico de cinco dos 28 mortos em operação na Favela do Jacarezinho descrevem pacientes com "faces dilaceradas", "dilacerações", ferimentos em membros inferiores compatíveis com disparos de arma de fogo e "desvios ósseos em membros superiores". O G1 teve acesso aos boletins de atendimento de cinco homens que foram feridos na ação e levados para a Coordenação de Emergência Regional (CER) da Ilha do Governador, a emergência do Hospital Evandro Freire. Em todas as avaliações o médico assinala que os pacientes chegaram já "cadáveres". Os documentos foram encaminhados pela direção da unidade de saúde à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ).

De acordo com descrição desses documentos, deram entrada na emergência três homens negros e dois pardos que não tinham identificação. Essa verificação da identidade, quando o paciente está desacompanhado de familiares ou sem documentos, é feita no Instituto Médico Legal (IML), para onde os corpos são levados.

Segundo os boletins, o primeiro atendimento no hospital da Ilha ocorreu às 9h19. O homem, por causa de um ferimento por arma de fogo, apresentava o rosto "totalmente dilacerado". Os outros mortos, de acordo com os documentos, tinham marca de tiros no peito, rosto, barriga e outros membros inferiores. Todos tinham marca de disparos de arma de fogo no corpo. Já o último atendimento aconteceu às 13h13.

Como revelado pelo GLOBO na última terça-feira, 26 dos 28 mortos durante a operação no Jacarezinho já chegaram sem vida aos hospitais para os quais foram levados, incluindo o CER da Ilha do Governador. De acordo com informações da secretaria municipal de Saúde do Rio, só no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, 20 pessoas chegaram mortas. No Hospital Municipal Salgado Filho, para onde o policial André Frias foi socorrido ainda com vida, um homem também já chegou morto.

Em nota, a Polícia Civil informou que "o fato de criminosos chegarem mortos à unidade hospitalar não quer dizer que não foram resgatados com vida". A corporação alegou, ainda, que "as mortes podem ter acontecido no caminho ou na entrada ao hospital". E acrescentou que, "sobre as circunstâncias de eventuais socorros e da retirada de corpos do cenário, os fatos serão esclarecidos durante a investigação policial que está em andamento e sendo acompanhada pelo Ministério Público".

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