Jack Johnson lança oitavo álbum e reflete sobre redes sociais: 'Parece que vivemos tempos perigosos'

Um escritório todo feito de madeira e com vários instrumentos (seis violões e um piano) foi o cômodo em que Jack Johnson passou boa parte da pandemia. Lá, gravou o seu oitavo álbum de estúdio, “Meet the moonlight”, o primeiro em cinco anos. Disponível a partir de hoje nas plataformas de streaming, o trabalho reforça a tranquilidade típica da surf music de Johnson.

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— Sempre estava aqui sozinho ou com um amigo ou dois. Às vezes, me sentia culpado. Eu vinha pra cá já na hora do café da manhã e de repente já estava na hora do jantar — conta ele em entrevista via Zoom, em meio ao cenário que reflete sua personalidade.

Não só as composições e produções nasceram na casa de Jack Johnson, mas a maioria das dez músicas inéditas foi gravada no endereço que fica na região de Hale’iwa, no Havaí.

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De maneira geral, o músico de 47 anos usou as letras do novo álbum quase como um desabafo. Para ele, reflexivo e questionando a sociedade, todas as canções são como uma meditação:

—Algumas músicas acalmam, fazem você se distrair, e outras fazem você querer se envolver. Eu gostaria que a minha música encontrasse um equilíbrio entre essas duas coisas. Algumas pessoas já me disseram que usam minha música para colocar crianças para dormir... É tão calma que entedia as pessoas e faz dormir algumas vezes (risos) — diz. — Me considero um comentarista social. Na minha cabeça estou sempre tentando resolver alguma coisa.

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Terceira pessoa

Entre os pontos que Johnson explora estão as mazelas da era digital e como as redes sociais têm dificultado a comunicação entre as pessoas. Em “One step ahead”, lead single lançado em abril, o havaiano canta por uma comunicação menos agressiva. Outros assuntos tocados por ele em “Meet the moonlight” são compaixão e empatia.

— Parece que estamos vivendo tempos perigosos com as redes sociais e a falta de comunicação ao vivo — diz o cantor, que tem quase um milhão de seguidores no Instagram. — Não gosto de ficar me chamando de velho, mas de alguma forma nunca entrei nas redes sociais. Minha amiga cuida das minhas redes e ela fala de mim na terceira pessoa. É engraçado como às vezes adolescentes me perguntam por que eu falo de mim mesmo na terceira pessoa nas minhas redes sociais (risos) e eu tenho que explicar que não sou eu falando.

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Mesmo estando no seu oitavo álbum, Jack Johnson não se incomoda em manter um padrão estético musical. Mudar, inclusive, não é muito confortável para ele. Trabalhar com um produtor novo, Blake Mills, precisou de tempo de experiência e adaptação para que o artista confiasse nas sugestões para o disco:

— Caio um pouco nessa de não sentir necessidade de mudar muito. Sou eu e meu violão acústico, é mais sobre a letra do que sobre a melodia que a envolve, mas foi muito bom trabalhar com um produtor novo. Ele fez bem em me convencer a fazer algumas mudanças. Foi meio complicado no começo, mas só precisávamos passar um tempo juntos e nos entender.

Com mais de nove milhões de ouvintes mensais no Spotify, desde que surgiu para o grande público Jack Johnson já foi indicado duas vezes ao Grammy e vendeu mais de 25 milhões de cópias s em todo o mundo. A renda dos trabalhos e lucros de turnês, juntamente com as atividades de caridade de Johnson, resultaram em mais de US$ 37 milhões doados desde 2001. O sucesso, no entanto, não é algo que o envaidece.

— Em todo álbum que faço tento me lembrar da mesma história. Quando lancei meu primeiro disco, falei para minha mulher: “Eu só espero que esse seja o álbum favorito de alguém, mesmo que seja uma única pessoa.” Então meu objetivo é sempre esse. Tentar não comparar com os anteriores e fazer ser o favorito de alguém — conta.

Por enquanto, “Meet the moonlight” terá uma turnê de 35 dias apenas pela América do Norte. Johnson, que não vem ao Brasil desde 2017, no entanto, garante que pretende voltar em breve:

— É nosso lugar favorito para tocar ao vivo. É muita energia. Tem músicas que a gente não sabe se vai funcionar na frente de uma plateia e, se testamos no Brasil, traz vida pra ela.

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