Em fim de semana trágico, os Bolsonaro dão o exemplo com festa e jet ski

Bolsonaro anda de jet ski no dia em que Brasil ultrapassa 10 mil mortos - Foto: Redes Sociais/Reprodução

Na Nova Zelândia, país que se tornou uma referência no combate à Covid-19 com uma quarentena rigorosa e testagem em massa, o ministro da Saúde, David Clark, provocou um escândalo no início de abril ao ser flagrado com a família em uma praia no fim de semana. Precisou pedir desculpas em público.

“Enquanto nós pedimos para os neozelandeses fazerem sacrifícios históricos, eu decepcionei o time. Eu fui um idiota e eu entendo que as pessoas estejam bravas comigo”, disse Clark. 

O furo na quarentena por pouco não custou a demissão do ministro, mas a chefe de governo, Jacinda Ardern, decidiu manter Clark no cargo, sob o argumento de que não poderia criar um estresse no sistema de saúde no auge do combate à pandemia.

Leia também

Hoje o país possui apenas três pacientes internados, e a transmissão do vírus foi eliminada.

O Brasil é um país de dimensões continentais onde cabem 42 Novas Zelândias em termos populacionais, mas é quase impossível ver o exemplo do país da Oceania sem pensar que estamos longe de achar a curva da contaminação fazendo praticamente o contrário de tudo o que foi adotado por lá.

Siga o Yahoo Notícias no Google News

A começar pela troca do ministro da Saúde quando o Brasil ainda não tinha chegado à marca de 750 mortes diárias pelo coronavírus.

Por aqui, ninguém furou mais os esforços pelo isolamento do que o presidente da República. Por terra, ar e água.

Na última semana, ele mesmo anunciou que havia programado um grande churrasco previsto para acontecer no dia em que o país atingiria a marca dos 10 mil mortos pela pandemia, quebrando todas as suas previsões de que o coronavírus mataria menos do que uma gripe comum no inverno.

Apesar do anúncio, Bolsonaro não promoveu o churrasco. Preferiu andar de jet ski em um lago de Brasília.

No programa, parou para degustar um pedaço de carne oferecido por um barco de apoiadores.

A imagem, claro, correu o mundo, como correm as notícias toda vez que ele se joga nos braços dos fanáticos que se aglomeram em manifestações pelo fim do Congresso e do STF. Na prestigiosa revista Lancet, Bolsonaro já é chamado de maior ameaça no combate ao coronavírus.

O sorriso no jet ski mostra que Bolsonaro está alinhado com a filosofia good vibes de sua secretária especial da Cultura, Regina Duarte, que tem saudades de poder cantar “pra frente Brasil” no período mais duro da ditadura militar. 

Como Regina, para quem morte e tortura fazem parte da vida, Bolsonaro quer ser leve. Não quer carregar um saco de mortos nas costas. Nem ele nem seus filhos, que passaram o fim de semana com chá revelação e postagem em volta da churrasqueira. Mais um pouco e passarão os dias felizes no Castelo de Caras.

“Estou vida, estamos vivos”, disse a atriz, olhando para as câmeras, na histórica entrevista à CNN Brasil.

Volto ao ministro neozolandês: “Como ministro da Saúde, é minha responsabilidade não só cumprir as regras, mas dar exemplo a outros neozelandeses.”

No Brasil, exemplo e responsabilidade foram soterradas como vítimas de uma outra pandemia. A da insensatez.

Pra frente, só o abismo.


Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.