Bolsonaro foi dormir sonhando com uma CPI e acordou assombrado por outra

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Brazil's President Jair Bolsonaro puts a sheet of paper in front his face during a ceremony about the National Policy for Education at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil June 20, 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Jair Bolsonaro começou a semana convicto de que a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra a Petrobras poderia reposicioná-lo positivamente, junto ao eleitor, em sua busca pela reeleição. Antes desta quinta-feira (23/5) já era assombrado por uma outra CPI.

Em ataque coordenado com o chefe da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), o presidente ameaçava dar apoio a uma comissão que investigasse a relação entre o preço da gasolina e do diesel com os lucros dos acionistas minoritários da companhia.

Bolsonaro chegou a dizer que, se fosse deputado, assinaria o requerimento para instalar a comissão.

Mas Bolsonaro não é deputado. E os deputados de sua base já demonstraram que não gastarão a caneta nisso. Inclusive o PP de Arthur Lira.

Ninguém, a essa altura, quer correr o risco de mandar uma bala no pé às vésperas das eleições. Foi Bolsonaro, afinal, que indicou a chefia da Petrobras contra quem declarou guerra.

A panela de pressão entrou em banho maria após a renúncia José Mauro Coelho. Fernando Borges assumiu interinamente a presidência da companhia.

Desde então os ataques cessaram. Ou porque quem estava no alvo já não está mais na reta ou porque era tudo um jogo de cena – a empolgação de Lira, se havia, residia na possibilidade de mandar às favas a Lei das Estatais e voltar a povoar a companhia com indicações políticas, como nos tempos pré-Lava Jato.

Outra razão para que o recuo é a concorrência com uma outra CPI.

No meio da semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão contra suspeitos de corrupção no Ministério da Educação. O ex-ministro Milton Ribeiro foi detido após sua companheira receber R$ 60 mil de um outro personagem investigado.

Desde então a oposição começou a se movimentar para dar forma à CPI do MEC –um fantasma que assombra Bolsonaro desde que prefeitos decidiram contar o que sabiam sobre as andanças de dois pastores com trânsito livre no governo e no ministério.

Ribeiro dizia priorizar as demandas de prefeituras indicadas por Gilmar Santos e Arilton Moura por ordem de Bolsonaro.

A fila de prioridade era definida por um critério específico, segundo as apurações: os pastores cobravam propina para acelerar a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Educação (FNDE).

O fundo está loteado pelo centrão. Em Alagoas, reduto de Arthur Lira, até hoje faltam explicações sobre a compra, com suspeitas de sobrepreços, de kits robóticas para escolas sem acesso a água ou internet.

Essa CPI, claro, Lira não quer ver nem pintada de ouro.

O caminho, para a oposição, foi reunir apoio entre os senadores. Segundo Randolfe Rodrigues (Rede-AP), resta apenas uma assinatura para criar a nova CPI.

O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), correu para esfriar os ânimos. Disse que a aproximação do período eleitoral impediria o avanço dos trabalhos do colegiado.

Dias antes, ele já havia dito que não via sentido em uma CPI da Petrobras.

E, no ano passado, fez o que pode para barrar a CPI da Covid.

Esta última só foi aberta por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Enquanto funcionou, a comissão expôs com ampla visibilidade as vísceras do atual governo. Foi o momento em que Bolsonaro viu seu índice de rejeição atingir níveis preocupantes, com oscilações aqui e ali, desde então, para cima ou para baixo.

A prisão de um ex-ministro por quem dizia colocar a cara no fogo já faz estragos em seu discurso de que corrupção só existe no governo dos outros.

O avanço das investigações da Polícia Federal, segundo o presidente, prova que ele não interfere no órgão –como chegou a ser acusado pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

A CPI do MEC serviria como garantia de que personagens e testemunhas sejam ouvidas e contem o que sabem para um público mais amplo do que os permitidos em inquéritos eventualmente colocados em sigilo.

Para Bolsonaro, que já vê o barco sacudir em turbulência às vésperas da eleição, seria o pior dos mundos.

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