Jair Bolsonaro faz do Jornal Nacional uma live de quinta-feira

Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato a ser sabatinado no Jornal Nacional (Foto: Reprodução/TV Globo)
Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato a ser sabatinado no Jornal Nacional (Foto: Reprodução/TV Globo)

Jair Bolsonaro (PL), presidente da República e candidato à reeleição, foi o primeiro a ser entrevistado na série de sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo. O presidente foi questionado sobre propostas sobre economia, compromisso com a democracia, meio ambiente e também sobre a postura que teve durante a pandemia de covid-19.

O presidente se portou no Jornal Nacional como se estivesse em uma das lives que faz às quintas-feiras. Com pouco enfrentamento, usou os mesmos argumentos com facilidade e repetiu mentiras já conhecidas. As falas são as mesmas aplaudidas pelos apoiadores e criticadas pelos opositores.

Bolsonaro não apresentou propostas para o futuro. Quando questionado sobre um eventual novo governo, olhou para o passado e se vangloriou do que fez ao longo da atual gestão para tentar convencer os eleitores.

Sem citar questões ligadas à fome e da insegurança alimentar enfrentada por 60 milhões de brasileiros, o presidente afirmou que a situação econômica do Brasil é melhor que a do Reino Unido.

Ao ser questionado sobre o tema do meio ambiente e sobre o aumento do desmatamento do longo do atual governo, Bolsonaro negou problemas na Amazônia e tratou queimadas como naturais. Sobre o assunto, tampouco mostrou propostas para o futuro e mostrou segurança para rebater as críticas. Os recursos são os mesmos já conhecidos: citar problemas em países cujos líderes criticam a postura do Brasil, como França e Alemanha.

Jair Bolsonaro repetir também acusações infundadas sobre o processo eleitoral. Mentiu sobre a suposta impossibilidade de auditar as urnas eletrônicas, que são auditáveis, e citou as eleições de 2014 como prova, mesmo que o pleito não tenha tido qualquer irregularidade. O candidato ainda condicionou aceitar o resultado das eleições: "Desde que sejam limpas".

Sobre a pandemia do coronavírus, o presidente não mostrou arrependimento pelo deboche com as vítimas, quando imitou pessoas com covid-19 com falta de ar. Bolsonaro também exaltou a gestão da pandemia, com as mesmas críticas e mentiras, reafirmou a posição contra o isolamento social. O presidente evitou falar mal das vacinas e disse que o governo dele foi responsável por comprar os imunizantes, sem citar que não tomou a vacina, como fez em outras ocasiões.

Jair Bolsonaro teve liberdade e espaço para repetir argumentos e inverdades já conhecidas. Os apoiadores comemoraram e opositores rejeitaram um conteúdo repetido.

SABATINA DO JORNAL NACIONAL

O Jornal Nacional, da TV Globo, realiza tradicionalmente a sabatina de perguntas com os candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

A condução dos questionamento será feita pelos apresentadores do Jornal Nacional: William Bonner e Renata Vasconcellos. As entrevistas ocorrerão nos estúdios da Globo no Rio de Janeiro.

A sabatina pela qual os candidatos serão submetidos é considerada fundamental por estrategistas das campanhas, que veem uma boa possibilidade de conseguir "furar a bolha" e expor suas ideias no telejornal de maior audiência do país.

As sabatinas do Jornal Nacional preveem 40 minutos de participação de cada candidato.

O primeiro presidenciável a ser entrevistado é o atual presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Bolsonaro abre a série de entrevistas. Ciro Gomes, do PDT, será entrevistado na terça (23). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará na quinta (25) e Simone Tebet (MDB) fechará a série, na sexta (26).

A seleção dos candidatos teve por base as cinco melhores colocações na pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha em 28 de julho: Lula, Bolsonaro, Ciro, Tebet e André Janones (Avante). Janones, no entanto, decidiu retirar sua candidatura.

A ordem das entrevistas e as datas foram decididas em um sorteio realizado em 1º de agosto com representantes dos partidos.