O que esperar do (provável) casamento de Bolsonaro com o PL

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Brazil's President Jair Bolsonaro uses his cell phone before the launching ceremony of the National Green Growth Program, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil October 25, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Foto: Adriano Machado/Reuters

Jair Bolsonaro tem dois entraves no caminho até 2022. Ambos podem ser removidos nas próximas horas.

O primeiro é a definição sobre seu futuro partido político. Sem legenda desde que deixou o PSL, há quase dois anos, o presidente negociou por um longo tempo com vários “noivos”, para ficar na expressão que costuma usar em suas articulações. Tentou criar um partido próprio, o Aliança para o Brasil, mas esbarrou com a “burocracia” do sistema vigente —leia-se "viu que teria trabalho demais para construir e deixar um partido político de pé".

Desfeito o projeto, ele passou a flertar com lideranças do Patriota e do PRTB. As negociações racharam as legendas nanicas e foram abortadas. Em seguida Bolsonaro engatou conversas com o PTB, de Roberto Jefferson, preso por representar um perigo à sociedade, o PP, dos aliados Arthur Lira e Ciro Nogueira, e, mais recentemente, com o PL de Valdemar Costa Neto, preso e condenado no chamado “mensalão”.

No início da semana o presidente chegou a dizer que estava tudo certo com a equipe de Valdemar. As razões para a preferência não estão certas.

A princípio, o caminho mais provável era o PP, do qual já foi filiado. O Partido Liberal é um partido com dono, diferentemente do que acontece no Progressistas, onde o comando é pulverizado. Pelo histórico, este é ou deveria ser um problema para Bolsonaro, que saiu brigado das legendas com lideranças centralizadas, caso do PSL de Luciano Bivar, com quem deixou de se bicar até se tornar desafeto. Dentre as opções, portanto, o PL é onde há mais possibilidades de atrito. 

O clã Bolsonaro certamente terá dificuldades em se adequar como inquilinos diante das regras dos novos proprietários.

As bancadas de PP e PL na Câmara se equivalem, com 43 e 42 deputados eleitos, respectivamente.

No PP, Bolsonaro encontraria resistências em diretórios do Nordeste. Na Bahia, por exemplo, a sigla é aliada ao PT. Até aí, Ciro Nogueira, um dos líderes do partido, chamava até outro dia o presidente de fascista e hoje veste a camisa na Casa Civil. O PP também tem bases mais bem consolidadas no Nordeste do que o PL.

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Em um passo raro da dança bolsonarista, em que o hipopótamo tenta não pisar na pata de ninguém, Bolsonaro marcou o casamento com um noivo sem deixar outro com o véu na mão. No PL, o acordo é que haverá apoio para o PP seguir no comando da Câmara com Arthur Lira. Na prática, um quer ser reeleito chefe de Estado e outro, primeiro-ministro, detentor do Orçamento e das chaves capazes de definir os rumos do país via controle do orçamento, secreto ou não.

No fim de semana, a ministra do STF Rosa Weber mandou parar com a brincadeira, em nome da transparência. Os pares decidiram, por maioria, matar a estratégia governista por asfixia —para desespero de Bolsonaro, que voltou a se queixar da interferência, segundo ele indevida, do Judiciário sobre a vida política.

Nos dias que antecederam a votação em primeiro turno da PEC dos Precatórios, entre 28 e 29 de outubro, a ONG Contas Abertas identificou que o governo empenhou R$ 909 milhões em emendas parlamentares através do chamado “orçamento paralelo”, o equivalente a 30% de tudo o que foi comprometido no mesmo mês.

O movimento ajuda a explicar o sucesso da iniciativa do governo na Casa. É ali que o segundo obstáculo do caminho à reeleição pode ser removido caso os deputados autorizem Bolsonaro a atrasar os pagamentos dos precatórios e encontrar uma brecha no orçamento para pagar o Auxílio Brasil.

Se isso acontecer, Bolsonaro e sua turma teriam, enfim, um partido para chamar de seu e uma cartada eleitoral de R$ 400 na veia de 17 milhões de famílias.

O 1% que falta para botar a aliança, como tudo o que vem de Bolsonaro, deixa tudo em suspenso até que a ficha de filiação seja oficialmente assinada. 

O PL já prevê debandada, que deve ser compensada com a entrada no barco de parlamentares bolsonaristas e o aumento da bancada com a exposição de seu provável candidato a presidente, agora com tempo de TV e fundos partidários e eleitorais engordados. 

A versão 2022 do presidente, no fim, nem se parece com aquele que batia palma para general dançar “se ficar pega centrão, não fica um, meu irmão”. Não só ficou como serão todos filiados.

Tiririca, futuro colega de partido do presidente, poderá dizer na campanha se pior do que estava ficou ou não. O palhaço perdeu o posto. Ele já não é mais o principal puxador de votos da legenda em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

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