Governo Bolsonaro falha em tratativa com a Índia e Doria cobra presidente: "Onde estão as outras vacinas?"

·2 minuto de leitura
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

O clima acirrado entre João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e Jair Bolsonaro (sem partido) segue agravado pelo tema da vacinação contra a Covid-19. Nesta terça-feira (19), o tucano cobrou o presidente pelas duas milhões de vacinas da Oxford/AstraZeneca prometidas pelo Ministério da Saúde que ainda não chegaram ao país.

Durante um ato simbólico que abriu a vacinação em Ribeirão Preto, no interior paulista, Doria criticou a gestão da pandemia realizada pelo governo federal e lembrou que o Ministério da Saúde fracassou na importação das duas milhões de doses que seriam enviadas pela Índia ao Brasil.

Leia também

"Onde estão as outras vacinas? Será que mais uma vez, além de falta de seringas, agulhas, falta de logística, testes desperdiçados com prazo vencido... Até quando vamos ter a incompetência do governo federal diante de uma pandemia que já levou a vida de mais de 210 mil brasileiros?", questionou.

O governador paulista fez questão de reafirmar o apoio aos cientistas da FioCruz, órgão que desenvolve o imunizante em parceria com Oxford/AstraZeneca. No último domingo (17), a Anvisa liberou o uso emergencial de seis milhões de doses da Coronovac e das suas milhões de doses da Oxford/AstraZeneca.

"Nós temos muito respeito pela Fiocruz e seus cientistas. Agora eu pergunto ao Ministério da Saúde: onde está a vacina da AstraZeneca? [...] O ministério nem considerava termos a vacina do Butantan, e hoje é a vacina do Butantan que está vacinando profissionais de saúde em todo o Brasil. Mas eu volto a perguntar ao presidente Jair Bolsonaro: onde estão as vacinas da AstraZeneca?", disse.

Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, disse ter a expectativa de receber os insumos da China para produzir doses da Coronavac nos próximos dias. A preocupação em todo o país é que a vacinação tenha que ser interrompida por falta de oferta de doses.

"Essa demora com relação à vinda dessa matéria-prima eu espero que fique agilizada agora, com a aprovação do uso emergencial [da Coronavac] pela Anvisa. Até o último domingo (17) a vacina era o inimigo número um do presidente, e a China também", afirmou Covas.

O diretor do Butantan endossou as críticas de Doria ao governo federal e cobrou Bolsonaro para ajuda na liberação dos insumos para produção do imunizante.

"Se a vacina agora é do Brasil [como afirmou Bolsonaro nessa segunda (18)], que o nosso presidente tenha a dignidade de defendê-la e de solicitar apoio ao seu ministério de Relações Exteriores na conversa com o governo da China. É o que nós esperamos", disse.