Bolsa Família 'impedia' beneficiário de conseguir emprego? Checamos

Lula defendeu o Bolsa Família durante sua participação no debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (29) - Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images
Lula defendeu o Bolsa Família durante sua participação no debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (29) - Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images

O Bolsa Família, programa de transferência de renda criado durante o governo Lula (PT), foi mais uma vez um dos temais centrais do debate entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (29), na TV Globo.

Em uma de suas falas, Bolsonaro criticou o programa ao dizer que, no governo do petista, beneficiários perdiam direito ao valor que recebido assim que conseguissem um emprego.

"Se uma pessoa dessa arranjasse um emprego, perdia [...]. Ela passou a ser uma escrava do teu programa chamado Bolsa Família."

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), no último debate presidencial do segundo turno, em 28 de outubro de 2022

Não é verdade que os beneficiários do Bolsa Família deixavam de ter direito ao pagamento se estivessem empregados. O principal critério do antigo programa de transferência de renda se baseava nos ganhos mensais familiares.

Por isso, mesmo pessoas com carteira assinada poderiam ser beneficiadas, desde que a renda – quando dividida pelo número de membros da família – não ultrapassasse os valores estipulados anualmente pelo governo (1, 2).

Salário mínimo

Outro tema que gerou conflito entre os candidatos à Presidência foi o salário mínimo. Lula afirmou ter aumentado o valor em mais de 74% em sua gestão. Bolsonaro, por sua vez, defendeu seu governo.

"Durante o meu governo eu aumentei o salário mínimo em 74%."

Candidato ao Planalto e ex-presidente Lula (PT), no último debate presidencial do segundo turno, em 28 de outubro de 2022

É falso que no período do governo de Lula o aumento real do salário mínimo tenha sido de 74%.

Considerando os valores do primeiro e do último ano de seu governo, 2002 e 2010, o aumento real foi, na verdade, de 53,67%. Os números foram calculados com base em uma nota técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico).

"Nós concedemos reajustes ao salário mínimo, no mínimo, igual à inflação."

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), no último debate presidencial do segundo turno, em 28 de outubro de 2022

O primeiro reajuste dado por Jair Bolsonaro em 2020 não chegou a se igualar à inflação. Na realidade, não houve aumento real, mas uma perda de 0,36%, segundo o Dieese.

Mas, os reajustes seguintes, de fato, foram iguais ou ligeiramente superiores à inflação. Em fevereiro de 2020 o salário aumentou 0,39%, em janeiro de 2021, de 0,01%, e em janeiro de 2022, de 0,02%.