Bolsonaro chama Lula de “descondenado” e liga petista a Ortega e Maduro

Manifestação do governante tenta prejudicar a imagem de Lula junto aos evangélicos, principalmente. Mas Bolsonaro encontra eco em posicionamentos do PT - Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images
Manifestação do governante tenta prejudicar a imagem de Lula junto aos evangélicos, principalmente. Mas Bolsonaro encontra eco em posicionamentos do PT - Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a fazer ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (17). Pelas redes sociais, o governante chamou o adversário de “descondenado” e mencionou aliados do petista na América Latina, como o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega e Nicolas Maduro, na Venezuela.

“O aliado do descondenado na Nicarágua persegue cristãos. Na Venezuela, fecha jornais e deixa o país mais pobre que o Haiti. Em Cuba, prende opositores e proíbe cidadãos de deixarem o país. Outros aumentam impostos e liberam drogas. Mas há quem diga que ele não apoia nada disso”, escreveu o chefe do Executivo.

Bolsonaro ainda ironiza o PT e diz achar estranho que o partido esconda a relação com pautas como descriminalização das drogas e do aborto.

“Se julgam ser bandeiras tão benéficas para o Brasil, deveriam premiar, não banir, aqueles que fazem o favor de divulgá-las”, afirma. O presidente conclui o “fio” da publicação com uma notícia sobre a comemoração petista da vitória do ditador Ortega e e outra sobre prisão de sacerdote na Nicarágua.

A manifestação do governante tenta prejudicar a imagem de Lula junto aos evangélicos, principalmente. Mas Bolsonaro encontra eco em posicionamentos do PT.

Em novembro do ano passado, o Partido dos Trabalhadores chegou a divulgar uma nota que parabenizava Ortega pela vitória na Nicarágua e chamava a eleição de “grande manifestação popular e democrática”. Dois dias depois, o texto foi excluído do site petista, após Ortega ser alvo de críticas internacionais após sair vitorioso de uma eleição em que os adversário estavam todos presos ou exilados.

Lula também foi próximo de Fidel Castro e lamentou a morte do líder cubano, em 2016, como a “perda de um irmão mais velho”.

Neste ano, após protestos no país caribenho, o petista defendeu que a ilha poderia ser uma Holanda se não fosse o bloqueio econômico dos Estados Unidos e pediu a Joe Biden para aproveitar o momento e encerrar a política de bloqueio.

Em 2021, o PT também saudou a vitória do chavismo na Venezuela e Gleisi Hoffmann, líder nacional da sigla, defendeu que o líder venezuelano foi eleito de forma democrática, em um processo eleitoral legítimo.

A oposição ao presidente venezuelano havia sofrido boicote nos três anos anteriores ao pleito e conseguiu vitória em três de 23 estados. Também houve boicote dos eleitores, e só 41,8% foram às urnas.