Bolsonaro diz que hoje menor não pode trabalhar, "mas pode cheirar paralelepípedo de crack"

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Foto: Andressa Anholete/Getty Images
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Convidado para a abertura do congresso nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em um hotel de Brasília na noite desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falava sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre o setor e revelou que teve primeiro emprego, sem carteira assinada, aos dez anos de idade, em um bar. Em seguida, classificou como "bons tempos" a época em que "menor" podia trabalhar.

“E vou dizer uma coisa para os senhores: meu primeiro emprego, sem carteira assinada, obviamente, eu tinha 10 anos de idade. Foi no bar do seu Ricardo, em Sete Barras, no Vale do Ribeira (SP). Eu estudava de manhã e à tarde, lá para as 2 da tarde, ia até umas 6, 7 da noite, ele tinha pouca gente no bar, a galera que gosta de uma birita chega um pouquinho mais tarde, né?, e eu trabalhava ali com ele porque meu pai me botou lá” relatou o presidente à plateia.

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“E bons tempos, né?, onde menor podia trabalhar. Hoje, ele pode fazer tudo, menos trabalhar, inclusive cheirar um paralelepípedo de crack, sem problema nenhum” comentou Bolsonaro na sequência.

Sancionado em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe "qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz". Durante a campanha eleitoral de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro declarou que "o ECA tem que ser rasgado e jogado na latrina" por ser "um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil".

Ideologia na educação

Horas antes da fala de Bolsonaro, Milton Ribeiro, ministro da Educação (MEC), afirmou, sem citar provas, que nos “últimos 10 ou 15 anos” algumas pessoas passaram a “ter a ideia” de que seria possível “colocar na mente e coração dos meninos da escola pública” conceito ideológicos, como o de que “o capital era ruim". A declaração foi dada em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Segundo o ministro, a intenção da pasta não é tirar o juízo crítico da educação, mas sim postergar para uma etapa do ensino em que o aluno esteja mais preparado para “ler e entender". Ribeiro não deixou claro qual período seria ideal para introduzir os temas que classificou como “polêmicas".

"Eu creio que existe uma série de desencontros e discussões que se entremearam no foco maior do MEC, que é se preocupar apenas com educação. Isso talvez tenha atrapalhado nosso percurso nos últimos 10, 15 anos", disse Milton Ribeiro ao avaliar o baixo desempenho da educação brasileira no passado recente.

Segundo o ministro, os governos dos petistas Lula e Dilma Rousseff e de Michel Temer (MDB) foram períodos em que começou a “se ter a ideia de que a escola seria um campo fértil não apenas para procurar ensinar".

"Mas ao lado do ensino, (começar a ter a ideia) de procurar colocar na mente ou no coração dos meninos das escolas públicas e tal alguns conceitos próprios e ideológicos de uma linha que eventualmente interpretava, por exemplo, o capital como algo ruim, empregador como ruim", disse o ministro, que é pastor presbiteriano.

***Com informações de Gustavo Maia, do Extra

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