Governo Bolsonaro completa uma semana sem ministro da Saúde em meio à pandemia que já matou 20 mil

Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Uma semana depois do pedido de demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde, o Brasil só vê a pandemia do novo coronavírus avançar. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda estuda nomes para a pasta. Até o momento, o general Eduardo Pazuello segue como interino.

A cadeira completa uma semana vazia justamente depois do Brasil ultrapassar a marca dos 20 mil mortos e dos 300 mil casos confirmados de Covid-19. Na noite desta quinta-feira (21), Pazuello confirmou que a pandemia tem avançado pelo interior do país.

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Na mesma noite, em transmissão ao vivo, Bolsonaro afirmou que o “pavor” em torno do novo coronavírus é prejudicial ao país.

"Tem que se cuidar. Eu estou com 65 anos tenho que cuidar de mim mesmo, (de) minha mãe que está viva. E toca o barco. É a vida, é a realidade. Morre muito mais gente de pavor do que do ato em si. Então o pavor também mata, leva ao estresse, ao cansaço, a pessoa não dorme direito, fica sempre preocupada, (pensando) 'se esse vírus pegar vou morrer'", disse o presidente.

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Passada a marca das 20 mil mortes e dos 300 mil casos confirmados, a perspectiva é de que o Brasil atinja novo patamar nesta sexta-feira (22). Com uma diferença de 7.467 contaminados em relação à Rússia, o país deve ultrapassar os europeus na lista dos mais atingidos pelo novo coronavírus e assumir o segundo lugar, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Polêmica da cloroquina

Em entrevista à Globonews na noite da última quarta-feira (20), o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, revelou que Bolsonaro pretendia alterar a bula de medicamentos a base de cloroquina por meio de um decreto presidencial como forma de recomendar a substância no combate ao coronavírus.

Mandetta diz que soube da intenção de Bolsonaro durante uma reunião com o presidente e outros ministros quando ainda chefiava a pasta da Saúde. Mandetta, assim como seu sucessor, Nelson Teich, deixou o governo diante da pressão do presidente pelo uso indiscriminado da cloroquina no tratamento de Covid-19, contrariando estudos que apontam pouca ou nenhuma eficácia do medicamento, além de graves efeitos colaterais.

Nomeação de militares

Uma das principais ações de Pazuello como interino foi a nomeação de mais nove militares do Exército para atuar no ministério, na última terça-feira (19).

Desde a saída de Mandetta, em abril, o governo Bolsonaro vem aumentando a presença de militares na pasta. O próprio general Pazuello foi nomeado secretário-executivo do Ministério na gestão de Nelson Teich.

Preocupação com retorno do futebol

Nesse período sem ministro da Saúde, Bolsonaro tem insistido no retorno do futebol do país. No início da semana, o presidente almoçou com os presidentes de Flamengo (Rodolfo Landim) e Vasco (Alexandre Campello), em Brasília.

Na noite desta quinta-feira, o presidente voltou a defender o retorno do esporte no país e afirmou que o Ministério da Saúde apoiaria a ação.

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