Coronavírus: Surpreendido por Bolsonaro e criticado por apoiadores, Teich vive pressão no Ministério da Saúde

Foto: AP Photo/Eraldo Peres

O Ministro da Saúde Nelson Teich começa a viver seu momento mais turbulento desde que assumiu o cargo. Só nesta segunda-feira (11), o ministro foi surpreendido pela decisão de Jair Bolsonaro (sem partido) de incluir academias e salões de beleza em serviços essenciais, além de ser criticado nas redes sociais por apoiadores do presidente por não ser entusiasta do uso da cloroquina (substância que não tem efeito comprovado cientificamente) no combate à pandemia do novo coronavírus.

Teich protagonizou um momento constrangedor ao descobrir, durante uma coletiva, que Bolsonaro havia publicado no Diário Oficial um decreto que ampliava a lista de serviços essenciais durante a pandemia, liberando, portanto, o funcionamento desse tipo de categoria durante a pandemia.

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“Tratar isso como essencial é um passo inicial, que foi uma decisão do presidente, que ele decidiu isso aí. Saiu hoje isso? Decisão de? Manicure, academia, barbearia.... Não é atribuição nossa, é uma decisão do presidente. A decisão de atividades essenciais é uma coisa definida pelo Ministério da Economia. E o que eu realmente acredito é que qualquer decisão que envolva a definição como essencial ou não, ela passa pela tua capacidade de fazer isso de uma forma que proteja as pessoas. Só para deixar claro que isso é uma decisão do Ministério da Economia. Não é nossa”, afirmou o ministro visivelmente desconcertado.

Ao ampliar a lista de serviços essenciais, Bolsonaro alegou que são atividades relacionadas com a saúde e segue sua batalha contra governadores, que defendem medidas de isolamento social para frear a pandemia de Covid-19.

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Criticado nas redes sociais

No mesmo dia em que foi surpreendido pela medida do presidente, Teich foi alvo de críticas dos apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. A hashtag #ForaTeich foi um dos assuntos mais comentados do Twitter na noite desta segunda-feira, reunindo mais de 15 mil mensagens.

Apoiadores do presidente pediam uma posição mais firme do ministro sobre o uso de cloroquina para combater o novo coronavírus. Vale lembrar, no entanto, que não há evidências científicas da eficácia do remédio.

Nelso Teich assumiu o Ministério da Saúde depois que Bolsonaro demitiu Luiz Henrique Mandetta. Mesmo em meio à pandemia, apoiadores do presidente já defendiam uma nova troca: Teich por Osmar Terra, deputado federal e ex-ministro da Cidadania.

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