Bolsonaro pede 'um dia de jejum' contra o novo coronavírus

Na entrevista, o presidente convidou - mais de uma vez - os brasileiros a fazerem um dia de jejum contra o novo coronavírus. (Foto: Evaristo Sá / AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou para fazer um aceno aos evangélicos, na entrevista desta quinta-feira (2). Ele lembrou ser católico e sua esposa, Michelle Bolsonaro, ser evangélica antes de pedir que a população fizesse jejum para ajudar no combate ao coronavírus.

“Um pedido aqui, um dia de jejum para quem tem fé, em nome de que o Brasil fique livre desse mal”, disse ele, durante a entrevista ao programa Pingo nos Is, da rádio Jovem Pan.

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O pedido foi repercutido pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Em uma rede social, a titular da pasta fez uma postagem exaltando o pedido do presidente. “Presidente Bolsonaro acaba de anunciar que vai chamar o povo para um dia de jejum e oração pelo Brasil”, escreveu Damares.

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‘HUMILDADE’ A MANDETTA, PEDIU BOLSONARO

Na entrevista, Bolsonaro novamente defendeu o fim do chamado isolamento social e atacou governadores como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSL-RJ). Ele também fez críticas ao atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem posicionado a favor do isolamento social.

Bolsonaro foi questionado justamente pela diferença de posição do ministro em relação à sua. Ele, no entanto, disse que não demitirá o ministro em meio à crise do coronavírus.

“O Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo. Não pretendo demitir ele no meio da guerra. Mas ele extrapolou em algum momento", disse Bolsonaro. "Respeito todos os ministros e o Mandetta também. Ele montou o ministério de acordo com a sua vontade. A gente espera que ele dê conta agora”.

"Não é uma ameaça ao Mandetta não. Se ele sair bem, nenhum problema. Agora, nenhum ministro meu é indemissível. Nenhum, nenhum. Todo mundo pode ser demitido, como cinco já goram embora", complementou.

"Acho que o Mandetta, em alguns momentos, teria que ouvir mais o presidente da República. Ele diz que tem responsabilidade. Tem, sim. Mas ele cuida da Saúde, o Guedes cuida da Economia e eu entro no meio para que não haja atrito entre essas áreas. As duas áreas são importantes."

"Não tenho problema com o Paulo Guedes. Agora, o Mandetta quer fazer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo. Mas está faltando um pouco mais de humildade a ele para conduzir o Brasil nesse momento difícil, e que precisamos dele para que a gente vença a batalha com o menor número de mortos possível."

Questionado sobre os momentos em que Mandetta não teria ouvido suas demandas, Bolsonaro citou o "isolamento vertical e a questão do emprego".

"[Ele] Poderia estar tratando do assunto, até porque o presidente da República diz desde o começo que [esses assuntos] não pode ser abandonado. Agora, alguns profissionais do ministério dele... aquela histeria, aquele clima de pânico que começou por volta de 40 dias, contagiou alguns. Eu entendo, mas já tá no momento de todos botarem os pés no chão, porque se destruir o vírus e também os empregos, nós vamos destruir o Brasil."

Bolsonaro, no fim da fala, desejou "boa sorte" ao ministro da Saúde. "Espero que o Mandetta prossiga na sua missão com um pouco mais de humildade. Que a gente vença esse mar revolto", avisou.

A entrevista de Bolsonaro à Jovem Pan, que durou uma hora, ocupou o horário em que o presidente faz semanalmente sua live no Facebook.

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