Acusado de tentar interferir para 'blindar' filhos, Bolsonaro presta depoimento à Polícia Federal

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Foto: REUTERS/Adriano Machado
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  • Presidente foi ouvido presencialmente e negou todas as acusações

  • O inquérito foi aberto em abril do ano passado após denúncia de Moro

  • Bolsonaro é acusado de tentar influenciar em nomeações para proteger filhos e aliados

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prestou depoimento à Polícia Federal na noite desta quarta-feira (03). Ele foi ouvido sobre o inquérito que investiga uma suposta tentativa de interferir politicamente na corporação. As informações são da TV Globo.

Bolsonaro foi acusado por Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, de agir ilegalmente para proteger familiares e aliados que estão na mira da PF.

Segundo a emissora, o presidente teria respondido a todas as perguntas e negado as acusações contra ele. No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 30 dias para a PF realizar a oitiva de forma presencial. Inicialmente, Bolsonaro resistiu e queria dar explicações por escrito. 

Relembre investigação

Foto: REUTERS/Adriano Machado
Foto: REUTERS/Adriano Machado

O inquérito foi aberto em abril do ano passado, após o pedido de demissão do então ministro da Justiça Sergio Moro. Em seu pronunciamento de demissão, Moro afirmou ter sofrido pressões de Bolsonaro para nomear cargos na corporação. Ele estaria preocupado com apurações que miravam seus filhos e aliados.

Após a denúncia de Moro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a abertura de um inquérito para investigar os fatos. 

O caso estava sob relatoria do ministro Celso de Mello, mas passou para Moraes depois que o decano se aposentou da Corte. 

De acordo com o "O Globo", a PF já realizou as principais diligências da investigação. Entre o material analisado, está um um vídeo de reunião ministerial na qual Bolsonaro manifestou preocupação com investigações que pudessem atingir sua família.

Inicialmente, Bolsonaro resistiu a depor presencialmente e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para garantir seu direito de se explicar por escrito. 

O presidente, no entanto, recuou. Após a AGU desistir do recurso, Moraes determinou um prazo para agendar a oitiva de Bolsonaro.

"Não troco princípios por cargos", afirma Sergio Moro 

Após a divulgação da informação sobre o depoimento de Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro se manifestou por meio de nota e afirmou que "jamais condicionei eventual troca no comando da PF à indicação ao STF" e que não troca "princípios por cargos". 

Leia a nota na íntegra:

"Sobre o depoimento do Presidente da República no inquérito que apura interferência política na Polícia Federal, destaco que jamais condicionei eventual troca no comando da PF à indicação ao STF. Não troco princípios por cargos. Se assim fosse, teria ficado no governo como Ministro. Aliás, nem os próprios Ministros do Governo ouvidos no inquérito confirmaram essa versão apresentada pelo Presidente da República. Quanto aos motivos reais da troca, eles foram expostos pelo próprio Presidente na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 para que todos ouvissem. Também considero impróprio que o Presidente tenha sido ouvido sem que meus advogados fossem avisados e pudessem fazer perguntas". 

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