Pressionado, Bolsonaro publica e apaga vídeo com fake news sobre vitória de Lula

Publicação apresenta, sem fundamento, críticas ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas

Bolsonaro responde a dois inquéritos no STF por mentiras contadas ao longo de quatro anos de mandato, um deles por informações falsas sobre o processo eleitoral - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
Bolsonaro responde a dois inquéritos no STF por mentiras contadas ao longo de quatro anos de mandato, um deles por informações falsas sobre o processo eleitoral - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

Na noite desta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro compartilhou, nas redes sociais, uma postagem insinuando que Lula não foi eleito pelo povo, e sim escolhido pelo serviço eleitoral junto a ministros do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Após a publicação viralizar rapidamente nas redes sociais, foi apagada pouco depois.

A postagem, do ex-presidente, era trecho de uma entrevista de Felipe Gimenez, procurador do estado do Mato Grosso do Sul, apoiador declarado de Bolsonaro, alegando que não houve transparência na apuração das urnas eletrônicas e que não é possível ver a contagem dos votos. O que não é verdade.

Na publicação também é questionada a credibilidade das urnas eletrônicas eleitorais e dito que o código fonte não pode ser verificado, além de ser defendido o uso de voto impresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito de forma legítima com 60.345.999 votos, o que representa 50,9%, contra os 58.206.354 votos em Bolsonaro que resulta em 49,1%;

As urnas eletrônicas eleitorais são consideradas seguras e passam todas por auditorias. Além disso, nunca houve registro de fraude eleitoral desde a adoção do voto eletrônico, em 1996.

O ex-presidente viajou para os Estados Unidos faltando dois dias para concluir seu mandato e não entregou a faixa presidencial a Lula.

Nesta terça-feira, ele deixou o hospital AdventHealth Celebration, em Orlando. Segundo interlocutores do político consultados pelo portal UOL, ele planeja antecipar o retorno ao Brasil.

Bolsonaro responde a dois inquéritos no STF por mentiras contadas ao longo de quatro anos de mandato, um deles por informações falsas sobre o processo eleitoral.

Ele chamou o voto eletrônico de "porcaria" e defendeu o voto impresso. Repetiu diversas vezes a mentira de que o processo eletrônico de votação não é auditável e é "fraudável". Também insinuou que a invasão ocorrida em sistemas do TSE em 2018 indicaria a existência de fraude eleitoral. E afirmou que a contagem de votos é feita por "meia dúzia" de pessoas em uma "sala fechada", fazendo acusações de fraudes em eleições passadas sem apresentar qualquer prova de suas alegações.