Bolsonaro fez 'ato profético' com apóstolos em dia de 'dança da cadeira' em ministérios: 'Orações mudam o destino de uma nação'

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  • Em dia marcado por reforma ministerial, Bolsonaro exaltou "ato profético" ao lado de "apóstolos"

  • Presidente celebrou "jejum" ao final de mais um dia em que país bateu recorde na média móvel de óbitos por Covid-19

  • No dia após a maior reforma ministerial, comandantes das Forças Armadas anunciaram que deixarão governo

Em pleno auge da pandemia do novo coronavírus no país, Bolsonaro convocou a população para realizar um dia de "jejum e oração" nesta segunda-feira (29). O dia, no entanto, ficou marcado por uma intensa reforma ministerial promovida pelo presidente em seu governo, trocando o comando de seis pastas.

No fim do dia, ao lado de três "apóstolos", que diziam representar o povo evangélico e cristão do país, o presidente publicou um vídeo para prestar contas do saldo do que chamaram de "ato profético tremendo". Nesta terça-feira (30), outro movimento abalou as estruturas de Brasília: os comandantes das três Forças Armadas anunciaram que deixarão seus cargos após a "troca das cadeiras" promovida por Bolsonaro

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Um dos apóstolos celebra o ato e diz projeta que o Brasil será "sarado". Enquanto outro diz que o país nunca mais será o mesmo depois do jejum praticado.

Ao final, Bolsonaro encerra o vídeo utilizando uma frase em tom profético. "Jejum pelo Brasil, orações que mudam o destino de uma nação". 

O celebrado jejum ocorreu em mais um dia em que o país quebrou recorde de média móvel de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia

CONFIRA O QUE MUDOU NA REFORMA MINISTERIAL DO GOVERNO BOLSONARO

Secretaria de Governo

  • Sai: General Luiz Eduardo Ramos

  • Assume: Deputada Flávia Arruda (PL-DF)

Casa Civil

  • Sai: General Walter Souza Braga Netto

  • Assume: General Luiz Eduardo Ramos

Ministério da Defesa

  • Sai: General Fernando de Azevedo e Silva

  • Assume: General Walter Souza Braga Netto

Ministério das Relações Exteriores

  • Sai: Ernesto Araújo

  • Assume: Carlos Alberto Franco França

Ministério da Justiça

  • Sai: André Mendonça

  • Assume: Delegado da PF Anderson Gustavo Torres

AGU (Advocacia-Geral da União)

  • Sai: José Levi

  • Assume: André Mendonça

MUDANÇAS OCORREM APÓS LIRA CITAR 'REMÉDIOS AMARGOS'

As mudanças fazem parte de uma reforma ministerial menos de uma semana depois de o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter subido o tom contra o governo e afirmado que, se não houver correção de rumo, a crise da pandemia pode resultar em "remédios políticos amargos" a serem usados pelo Congresso, alguns deles fatais.

Essa foi a primeira vez que Lira fez menção, mesmo que indireta e sem especificar, à ameaça de CPIs e de impeachment contra o presidente da República, em um momento em que Bolsonaro tenta atrair Legislativo e Judiciário para a coordenação da pandemia.

Líder do centrão e aliado de Bolsonaro eleito neste ano para a presidência da Câmara com apoio do presidente, Lira falou no risco de uma "espiral de erros de avaliação", disse que não estava "fulanizando" e que se dirigia a todos os que conduzem órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia.

O QUE DISSE BOLSONARO SOBRE AS TROCAS NOS MINISTÉRIOS?

Secretaria de Governo

Sobre as mudanças desta segunda-feira, o presidente disse que, por ser presidente da CMO (Comissão Mista de Orçamento), Flávia Arruda tem bom trânsito com os pares. Além disso, é uma mulher e uma opção para substituir Ramos.

Ministério da Defesa

Já a demissão de Azevedo do Ministério da Defesa pegou de surpresa generais que integram o alto comando do Exército. Alguns deles ligavam a TV sintonizados em canais de notícias para entender o que estava ocorrendo. Generais se reuniram na semana passada em Brasília com o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, e a demissão do ministro não estava no radar desses militares.