Janja coordena passagem de faixa, anima a militância e evita vermelho

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 30.11.2022 - A futura primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, fala com jornalistas sobre detalhes da festa da posse, no CCBB, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 30.11.2022 - A futura primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, fala com jornalistas sobre detalhes da festa da posse, no CCBB, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A cena em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu a faixa presidencial na rampa de pessoas que representam o "povo brasileiro" surgiu de uma decisão da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Coordenadora da posse, ela também fez restrição ao branco e o vermelho para definição das cores que vestiria na posse do marido neste domingo (1º).

A primeira-dama acompanhou Lula em todo o trajeto no Rolls Royce, como prevê a tradição. O veículo partiu da Catedral de Brasília e foi até o Congresso Nacional. De lá, depois da cerimônia de posse no plenário da Câmara, Lula e Janja -sempre acompanhados no veículo pelo vice Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin- foram ao Palácio do Planalto.

Ao longo do trajeto, a primeira-dama acenou para o público em diferentes ocasiões.

A socióloga se emocionou em dois momentos: ao chegar no topo da rampa do Planalto e durante a execução do hino nacional.

O simbolismo da rampa do Planalto foi o ponto em que Janja mais teve destaque na posse. Ela subiu a rampa segurando a cadela adotada pelo casal presidencial, chamada Resistência. Pouco antes, quando um apoiador do presidente tocou no trompete a música Ole olá Lula Lula, Janja sinalizou para que o público acompanhasse o ritmo.

No parlatório, ela passou as páginas do discurso do petista, como o fez durante a campanha. Ao final, fez o gesto de coração com os dedos com Lula.

Conforme a tradição, ela não discursou durante as diferentes cerimônias do dia da posse. Sua antecessora, Michelle Bolsonaro, quebrou protocolo em 2019 e falou antes do então presidente Jair Bolsonaro (PL), em um discurso inteiramente em libras.

Janja ganhou ainda mais protagonismo com a recusa de Bolsonaro de transmitir a faixa presidencial a Lula, um desprezo pelo rito democrático. O agora ex-presidente embarcou na sexta-feira (30) para os Estados Unidos para passar a virada do ano.

Coube então à equipe do gabinete de transição elaborar uma saída para o rito simbólico. Janja tomou as rédeas da organização da passagem da faixa.

Desde então, os detalhes do momento viraram motivo de especulação e foram tratados como mistério pelo entorno do petista.

Acompanharam Lula na subida da rampa e na passagem da faixa o cacique Raoni Metuktire, o jovem Francisco, 10, a catadora Aline Sousa, o metalúrgico Weslley Rodrigues, o professor Murilo de Quadros Jesus, a cozinheira Jucimara Fausto dos Santos, o militante Flávio Pereira e Ivan Baron, jovem que teve uma paralisia cerebral causada por uma meningite na infância.

O objetivo era representar a diversidade do povo brasileiro.

Janja já disse, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em novembro, que pretende ressignificar o papel de primeira-dama. "Sou uma pessoa que é propositiva, que não fica sentada, que vai e faz", afirmou a esposa de Lula.

A socióloga inovou já durante a transição ao ser a coordenadora da posse, que contou com um festival de música, além das solenidades. Foi dela também a decisão de ampliar em mais 10 mil pessoas o público na Praça dos Três Poderes. Inicialmente, as autoridades do Distrito Federal previam um limite de 30 mil pessoas para a praça, por motivos de segurança.

Além de aumentar o público na Praça dos Três Poderes, Janja solicitou que a segurança preparasse bolsões para a entrada de pessoas em espaço mais próximo ao Palácio do Planalto e aumentasse o efetivo de policiais no local.

A roupa usada para a posse também foi cuidadosamente pensada pela primeira-dama. Ela decidiu evitar as cores branco e vermelho no terno e calça escolhidos por ela para a posse.

A estilista responsável pelo visual, Helô Rocha, atribui o veto da cor da bandeira do PT à busca de ampliação e ao fato que o vermelho predominaria no ambiente. A opção pelo tom palha surgiu da cartela de cores produzidas com elementos da natureza.

No caso de Janja, a cor é produzida do caju e do ruibarbo. Já os bordados da roupa são feitos de palha de capim dourado e junco.

Segundo Helô, Janja disse que já tinha pensado em vestir calça quando a estilista apresentou-lhe a ideia. Para Helô, a calça tem a simbologia de que ela vem para trabalhar e está longe de ser recatada e do lar -expressão associada à ex-primeira-dama Marcela Temer.

Janja também teve posição de relevância durante a campanha. A expectativa é que ela mantenha o protagonismo durante o terceiro mandato de Lula.

Durante a transição, Janja foi a coordenadora do grupo técnico que organizou a posse. De acordo com aliados de Lula, além do próprio petista, apenas a primeira-dama e o fotógrafo Ricardo Stuckert sabiam detalhes da cerimônia.

Próxima da classe artística, Janja também organizou a relação de artistas escalados para o festival do futuro. Os shows ocorrem na Esplanada dos Ministérios antes e após as cerimônias de posse.

"Queria convidar todo mundo para estar em Brasília com a gente dia 1º. Vai ter muita coisa boa aqui neste palco Gal Costa. Vai ser muito bonito", disse em vídeo publicado nas redes sociais, a três dias da posse.

"Venham, participem dessa posse histórica do presidente Lula. A gente quer ver esse gramadão lotado dia 1º e todo mundo muito alegre e feliz", completou.