Janja vai à COP27 e se encontra com representantes da sociedade civil

A futura primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, fez uma visita nesta terça-feira à COP27, a conferência ambiental da ONU que neste ano acontece em Sharm el-Sheikh, no Egito. Janja chegou ao espaço acompanhada de assessores e de seguranças brasileiros. Fez uma breve passagem pelo pavilhão dos governadores da Amazônia Legal antes de ir para o estande da sociedade civil, o Brasil Climate Action Hub.

Lá, a futura primeira-dama se reuniu com uma série de lideranças como a deputada federal Marina Silva, Marcio Astrini, do Observatório do Clima, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e a vereadora Tainá de Paula (PT-RJ). Também estiveram presentes representantes dos grupos que ocupam o Brazil Hub, ativistas e a cantora Fafá de Belém, que viajou como embaixadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (Ipam).

— Estou muito feliz de estar aqui na COP, é a minha primeira. Estou dando uma andada, conhecer os estandes. Conheci o consórcio da Amazônia, vim aqui no Brasil Hub, conversei com várias pessoas — disse Janja, que mais tarde terá uma reunião com mulheres sobre desenvolvimento climático. — Estou com muita expectativa, amanhã (quarta) temos duas agendas importantes. É muito importante voltarmos a ver o Brasil no centro do mundo novamente, com protagonismo na questão do clima e do meio ambiente.

Janja e Lula chegaram de madrugada desta terça ao país, em uma comitiva da qual também faz parte o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad — nome cotado para assumir um ministério a partir de 1º de janeiro. O petista terá reuniões bilaterais com os enviados do clima chinês e americano, Xie Zhenhua e John Kerry, respectivamente, além de uma agenda com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O casal está hospedado em uma hospedagem cedida pelo governo egípcio, que convidou o petista para vir à conferência ao parabenizá-lo pela vitória eleitoral. O petista conversará por telefone com seu anfitrião, e Janja usava uma credencial emitida pelo país-sede.

O terreno para a chegada do presidente eleito, que deve usar a visita à COP27 para reposicionar o Brasil na diplomacia climática e sinalizar uma retomada do compromisso ambiental, foi preparado por uma série de aliados desde que a conferência começou no dia 6. A ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008) e deputada federal eleita (Rede-SP) Marina Silva, inclusive, já havia se reunido com Kerry.

Marina é uma das mais cotadas para assumir a pasta, junto com outra de suas ex-ocupantes, Izabella Teixeira (2010-2016), que está na COP27 como conselheira da presidência egípcia e co-presidente do Painel de Recursos Naturais da ONU. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), outro nome de peso, desembarcou no fim de semana.

Há uma série de autoridades brasileiras no Egito: nomes como a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) e os deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) e Rodrigo Agostinho (PSB-SP) também estão no Egito. O deputado Nilto Tatto (PT-SP) e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), estiveram em Sharm el-Sheikh na semana passada. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também está em Sharm el-Sheikh. Em um hotel no balneário do Mar Vermelho, ele participou de um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Câmara de Comércio Internacional (ICC) — lá, disse que o país precisa acabar com o desmatamento ilegal e afirmou crer que o governo de transição pode dar bons passos neste sentido.

Há também dois governadores amazônicos aliados de Bolsonaro no evento: o do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) e do Acre, Gladson Cameli (PP). Em uma entrevista na quinta, Castro fez acenos ao governo de transição ao dizer que “o presidente Lula não é presidente de esquerda ou de direita, é presidente do povo brasileiro”.

Além da dupla, outros três governadores da Amazônia Legal vieram ao Egito: Marcos Rocha, de Rondônia, Wanderlei Castro, e o paraense Helder Barbalho, que convidou Lula para a conferência. O presidente eleito terá uma agenda com os governadores na quarta, quando receberá do grupo uma carta de agenda comum para a transição climática. Após o encontro, Lula fará um pronunciamento e dará uma entrevista coletiva. Na quinta, o petista participará de um evento no Brazil Climate Action Hub e terá um encontro com povos indígenas e originários. Na sexta, Lula segue para Portugal.

*A repórter viajou a Sharm el-Sheikh, no Egito, a convite do Instituto Clima e Sociedade (iCS)