Janja vibra com bateria da Imperatriz, que faz ensaio técnico com bonés CPX

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, elogiou a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, cujos ritmistas usaram bonés com a sigla CPX, em homenagem ao Complexo do Alemão. O comentário foi feito em uma publicação do criador do Voz das Comunidades, René Silva. Janja desembarcou em Buenos Aires no domingo ao lado de Lula para o primeiro compromisso internacional do presidente.

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A sigla tomou notoriedade em outubro do ano passado quando, ainda como candidato à Presidência da República, Lula usou um boné com as letras CPX durante uma visita no conjunto de favelas no feriado do Dia das Crianças. Imagens do presidente com o acessório viralizaram nas redes sociais depois que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgarem desinformação relacionando a sigla com a palavra "'cupincha", que significa parceiro e que, segundo eles, seria usada por integrantes de facções criminosas.

Apoio do mundo do samba

No início de janeiro, Janja foi convidada pela Imperatriz para desfilar no carnaval deste ano. O convite surgiu depois que a youtuber Antonia Fontenelle criticou a roupa usada pela primeira-dama na posse de Lula. Antonia comparou o terninho — conjunto pantalona, colete e blazer — com a velha guarda da escola de samba. O comentário causou revolta no mundo do samba e foi repudiado por escolas e carnavalescos.

"Escola apática, nem fede, nem cheira. É a Imperatriz Leopoldinense. Nem é a velha guarda da Mangueira, da Mocidade ou da Grande Rio", dissera Antonia.

A presidente da Imperatriz Leopoldinense, Cátia Drumond, enviou ofício para a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) pedindo que Fontenelle não seja credenciada para qualquer finalidade ou função nas apresentações do Rio e convidou a primeira-dama para desfilar no carnaval.

Este ano, a Imperatriz tem como enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, do carnavalesco Leandro Vieira, com inspiração na figura de Lampião a partir de fábulas da literatura de cordel.

Rainha do CPX

Quem também aderiu à homenagem ao complexo no ensaio técnico foi a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, Maria Mariá, moradora do Alemão. Durante o ensaio técnico, a majestade exibiu a coroa, banhada a ouro em formato de boné com a sigla CPX, que ganhou em sua coroação em dezembro passado. O acessório foi uma criação do carnavalesco da Imperatriz, Leandro Vieira.

Metade das 12 escolas do Grupo Especial optou por trazer à frente de suas baterias rainhas que fazem parte das agremiações, em sua maioria, desde a infância. São meninas que, mais do que ter samba no pé, “são raiz”, como chamam alguns, ou chão da escola, como preferem outros. O número é maior do que os de 2022 e 2020, quando as rainhas de comunidade chegaram a cinco. Em 2021, não houve desfile por conta da pandemia. Em 2019, foram quatro. Há dez anos, eram três.

O objetivo da iniciativa das escolas é manter a tradição de valorizar as "crias de comunidade", como a Beija-Flor, onde Raíssa de Oliveira reinou por 20 anos, depois de Sônia Capeta, outra soberana “raiz”. Na Verde e rosa, Evelyn Bastos, de 29 anos, se orgulha de ser uma rainha com DNA mangueirense. Nascida na comunidade e filha de Vânia Bastos — rainha entre 1987 e 1989 —, ela começou na agremiação mirim Mangueira do Amanhã e, em 2013, interrompeu sete anos de apostas da escola em celebridades como Preta Gil e Gracyanne Barbosa para o posto.