Janones pagou R$ 135 mil a empresa de ex-assessor investigado por lavagem

O deputado federal André Janones (Avante). (Foto: Reprodução)
O deputado federal André Janones (Avante). (Foto: Reprodução)

O deputado federal André Janones (Avante) repassa R$ 15 mil por mês, via cota parlamentar, a uma empresa de consultoria, cujo dono foi investigado por lavagem de dinheiro.

No total, o parlamentar já pagou R$ 135 mil para a companhia, que oferece um serviço feito gratuitamente pela Câmara dos Deputados.

A DMD Consultoria tem como dono o empresário Marcos Alessandro Machado Cleto, também conhecido como Marcos Piu, de 56 anos. Em seu site, a empresa informa que garante "economia de tempo realizando o acompanhamento de projetos provenientes de suas emendas"

Além de Janones, a empresa também já foi contratada por outros 12 deputados – 10 deles integram a atual legislatura. Desde 2015, a DMD Consultoria embolsou R$ 4,579 milhões em cota parlamentar, o que equivale a R$ 638,9 mil por ano.

Esses dados constam na transparência da Câmara dos Deputados e foram coletados pelo portal Metrópoles.

A reportagem do Metrópoles procurou Janones, que se defendeu dizendo que não tem como hábito consultar quem são os donos das empresas que contrata. Ele também não quis explicar qual foi o serviço contratado.

Osires Damaso (PSC), Marcelo Ramos (PSD) e Franco Cartafina (PP) também foram questionados e confirmaram a contratação da consultoria. Os outros seis deputados da atual legislatura não se manifestaram.

Marcos Piu afirmou que não há irregularidades na prestação de serviços da DMD. Ele ainda explicou que não conhece pessoalmente os parlamentares para os quais trabalha hoje.

Lavagem

O empresário Marcos Piu já trabalhou na Câmara dos Deputados por seis anos, primeiro como secretário parlamentar do deputado Aelton Freitas (PPG), e depois com um cargo de confiança do PR, atual PL, sigla na qual permaneceu até julho de 2013.

A saída do dono da DMD se deu após a Polícia Federal (PF) abrir um inquérito para investigar suposta lavagem de dinheiro por parte do funcionário. O esquema teria como beneficiário o deputado Aelton Freitas. Entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2011, uma conta em nome de Marcos Piu e da esposa dele movimentou mais de R$ 1,931 milhão. O valor foi tido como incompatível com os patrimônios, as atividades econômicas ou as ocupações profissionais e capacidades financeiras do casal.

A investigação chegou a ser arquivada em setembro de 2018, sem que houvesse a conclusão do inquérito. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), desarquivou o processo em agosto de 2019, após o surgimento de novas provas. O caso está hoje em sigilo na Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF).