Japoneses vão às urnas dois dias depois do assassinato de Shinzo Abe

REUTERS - ISSEI KATO

Os eleitores japoneses começaram a votar neste domingo (10) para renovar metade da Câmara Alta do Parlamento, uma eleição em grande parte ofuscada pelo assassinato há dois dias do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, durante um comício eleitoral em Nara, no oeste do país.

O atual premiê japonês, Fumio Kishida, cujo Partido Liberal Democrata (PLD) é amplamente favorito nas pesquisas, denunciou o ataque "bárbaro" ao seu ex-mentor, insistindo na importância de "defender eleições livres e justas, que são o fundamento da democracia". "Nunca cederemos à violência", acrescentou.

O assassinato a tiros de Abe, um dos políticos mais conhecidos do arquipélago, comoveu profundamente pessoas no Japão e no exterior, e mensagens de condolências chegaram de todo o mundo, inclusive da China e da Coreia do Sul, países com quem o Japão tem relações muitas vezes difíceis.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, atualmente em viagem pela Ásia, também fará uma parada em Tóquio nesta segunda-feira (11) para apresentar suas condolências pessoalmente, anunciou o Departamento de Estado.

O gabinete de Abe informou a AFP que um velório será realizado na noite desta segunda-feira e o funeral, na terça-feira (12), com a presença da família e entes queridos de Abe. As duas cerimônias acontecerão no templo Zojoji, em Tóquio, de acordo com a mídia local.

Segurança reforçada

O suposto autor do ataque, preso no local, confessou ter alvejado deliberadamente Shinzo Abe, explicando à polícia que estava insatisfeito com uma organização à qual acreditava estar filiado. Já alguns meios de comunicação japoneses mencionaram que o agressor pertenceria a um grupo religioso. As informações conhecidas são de que o homem, de 41 anos, chamado Tetsuya Yamagami, é um ex-membro da Força de Autodefesa Marítima, a Marinha Japonesa, e teria dito à polícia que usou uma arma caseira.

Depois de ser momentaneamente suspensa pelos diversos partidos pela notícia do ataque do ex-primeiro-ministro, a campanha eleitoral foi retomada neste sábado (9) com medidas de segurança reforçadas, já que a polícia de Nara admitiu falhas "inegáveis" em torno do comício de Abe.

A campanha foi dominada principalmente por preocupações locais, em particular pelos aumentos de preços e riscos relacionados ao fornecimento de eletricidade, quando a onda de calor que afetou o Japão desde o final de junho levantou temores de falta de energia.

"A economia mundial está estagnada e o Japão também está em crise econômica de diversas maneiras, com os salários não aumentando", declarou Shigeru Kato, de 75 anos, entrevistado pela AFP ao sair da sua seção eleitoral. Se não fizermos nada, "o Japão afundará ainda mais", acrescentou.

Representação feminina

A coalizão governista, formada pelo Partido Liberal Democrático, de Kishida, de 64 anos, e seu aliado Komeito, pode, de acordo com as projeções, conquistar mais de 70 das 125 cadeiras a serem preenchidas neste domingo (o Senado tem um total de 248 lugares, sendo metade renovada a cada três anos).

Por não conseguir apresentar uma alternativa atraente, o Partido Democrático Constitucional, de centro-esquerda, corre o risco, apontam as pesquisas, de perder parte dos 45 assentos que detém atualmente e seu lugar como principal força de oposição.

Em um país frequentemente criticado pela falta de representação feminina em suas instituições e na gestão de suas empresas, uma proporção recorde de 33% de mulheres está entre os 545 candidatos neste domingo.

Uma vitória esmagadora nas eleições senatoriais consolidaria o poder de Fumio Kishida, que defende uma política econômica mais redistributiva, apelidada de "novo capitalismo".

Investimentos em defesa

Sua estreita cooperação com os aliados ocidentais do Japão para pressionar a Rússia também foi elogiada no arquipélago, e seu plano de aumentar "significativamente" o orçamento de defesa também recebe grande aceitação, já que a China continua a afirmar suas ambições territoriais na Ásia-Pacífico.

A tendência de maiores gastos com defesa pode se fortalecer ainda mais após a eleição, de acordo com Yu Uchiyama, professor de Ciências Políticas da Universidade de Tóquio, que acredita que a "posição firme do Japão em relação à China provavelmente será mantida".

(Com informações da AFP)

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